sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Muro de Berlim – a barreira caiu

Já era noite na Alemanha em 9 de novembro de 1989, quando um grupo de anônimos cidadãos berlinenses esca¬lou os 3,5 metros do muro e, pela primeira vez em 28 anos, não foi reprimido pelos guardas da fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental. Logo, centenas de moradores dos dois lados saltavam a muralha para se confraternizar, enquanto uma multidão munida de marretas, martelos e barras de ferro começava, aos poucos, a transformar a parede em entulho. Caía, assim, o Muro de Berlim, o grande símbolo do período da Guerra Fria, no qual se opunham o bloco comunista, comandado pela União Soviética (URSS), e o capitalista, liderado pelos Estados Unidos (EUA).

Cronograma da abra.

Tudo começou em 1945, antes mesmo de o Japão assinar o armistício que colo¬caria o ponto final à II Guerra Mundial. Nas conferências de Yalta e de Potsdam, as potências vencedoras da guerra - EUA, Reino Unido e URSS - redesenharam as fronteiras da Europa. O mesmo documen¬to dividiu a Alemanha em quatro zonas - uma, mais a leste (oriental), dominada pelos soviéticos, e três a oeste (ociden¬tais), controladas por norte-americanos, britânicos e franceses. A capital, Berlim, também foi dividida em quatro zonas de ocupação, uma controlada pelos so¬viéticos e as três demais por franceses, ingleses e norte-americanos. Só que Ber¬lim ficara ilhada na porção comunista do país, de modo que qualquer comunicação entre a capital e o restante do território da Alemanha Ocidental atravessava a Alemanha Oriental.
Os Estados Unidos haviam começado a garantir a hegemonia sobre o oeste do continente ainda em 1944, na Conferên¬cia de Breton Woods, que adotara o dólar como base do sistema monetário interna¬cional, em substituição ao ouro. Em 1948, Washington aprovou o Plano Marshall, que estabeleceu a injeção de bilhões de dólares na reconstrução da Inglaterra, França, Itália e Alemanha. Estavam aber¬tas as portas para a transformação dos EUA em potência capitalista.
Enquanto isso, a URSS projetava-se so¬bre o Leste Europeu, tutelando os países da região e expandindo suas fronteiras. Entre 1945 e 1948, Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Iugoslávia, Bulgária e Albânia tornaram-se comunistas. Es¬tônia, Letônia e Lituânia foram formal¬mente anexadas pela URSS. Em 1949, as pressões da URSS sobre os territórios ocidentais levaram os aliados a reunir seus três territórios na República Federal da Alemanha (RFA), em oposição à Re¬pública Democrática Alemã (RDA), dos soviéticos. A capital, Berlim, encravada no território da RDA, prosseguiu dividida nas quatro áreas de ocupação.
Atraídos pela propaganda capitalista e pela prosperidade impulsionada pelo Pla¬no Marshall, 3 milhões de alemães aproxi¬madamente fugiram do lado oriental para a RFA até o início dos anos 1960. Em 1961, com o objetivo de frear a debandada para o lado ocidental, o governo de Berlim Orien¬tal iniciou a construção do muro. Outro objetivo era controlar a entrada de moeda e mercadorias do Ocidente, fatores que pressionavam a economia da Alemanha Oriental. Com cerca de 155 quilômetros de extensão, guardado por soldados, cercas elétricas e 300 torres de observação, o Muro de Berlim interrompeu estradas e linhas férreas, dividiu casas e separou famílias. Dados oficiais indicam que, até sua queda, em 1989, as tentativas de fuga resultaram na morte de 136 pessoas. Gru¬pos de direitos humanos afirmam que o número de vítimas supera 200.

Guerra Fria.

A construção do Muro de Berlim, em 1961, marcou o auge da Guerra Fria - um embate entre o bloco capitalista e o comunista, baseado mais na propaganda ideológica, nas pressões econômicas e em mútuas ameaças do que em ações armadas efetivas. O termo Guerra Fria surgiu em oposição ao conceito de "guerra quente", conflito armado de fato. Isso porque os EUA e a URSS - que dominavam a tecno¬logia nuclear - não se enfrentavam dire¬tamente pelo temor de um confronto que levasse à detonação da bomba atômica.
Os princípios da Guerra Fria foram enunciados, pela primeira vez, pelo ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill, era um discurso de 1946. Preocupado com o que chamou de "o vento frio que vem do leste", ele sugeriu a formação de uma aliança para comba¬ter o avanço do comunismo, conside¬rado pelo premiê a grande ameaça que pairava sobre o mundo no pós-guerra. No mesmo discurso, Churchill cunhou a expressão "cortina de ferro", para se referir ao bloco de regimes autoritários instalados no Leste Europeu.
A Guerra Fria foi silenciosa, mas não deixou de incorporar conflitos armados, em regiões disputadas pelos dois blocos como áreas de influência ideológica, po¬lítica e econômica ou de importância militar. Os países pobres do Terceiro Mundo - na América Latina, na Ásia e na África - foram os que mais sofreram. De um lado, os EUA, temendo que repúblicas latino-americanas caíssem sob influência soviética, adotaram uma política de in¬tervenção contra regimes de esquerda e apoiaram sangrentas ditaduras militares na região. Argentina, Uruguai, Chile e Brasil, por exemplo, viveram anos de chumbo, com violação dos direitos hu¬manos, tortura e morte. De outro, a URSS mantinha sob mão-de-ferro o regime de seus aliados, invadindo-os militar- mente sempre que julgava necessário. Foi o que Moscou fez para reprimir os levantes populares na Hungria (1956), na Checoslováquia (1968) e, mais tarde, na invasão do Afeganistão (1979-1989). A Guerra da Coréia (19504953), a do Vietnã (1959-1975), a guerra civil em Angola (1961-2002) e a Revolução Sandinista, na Nicarágua (1979), sofreram o impacto da disputa entre os dois blocos.
Um dos momentos mais tensos da Guerra Fria foi a crise dos mísseis. Em 1962, a URSS instalou secretamente em Cuba, que estava sob sua influência desde o ano anterior, mísseis que po¬deriam atingir Washington em poucos minutos. Descoberta a manobra militar, o presidente norte-americano John Kennedy ordenou o bloqueio naval a Cuba. Moscou chegou a enviar militares para um possível confronto, mas recuou e retirou os mísseis. Muitos especialistas consideram que jamais o mundo estivera tão próximo de uma guerra nuclear. A Guerra Fria provocou, ainda, uma dispu¬ta nos campos armamentista, científico e tecnológico. A corrida espacial, entre os EUA e a União Soviética, é o maior exemplo disso.
O muro vem abaixo

A Guerra Fria começou a perder força no fim dos anos 1970. A essa altura da história, era evidente a crise por que passava o bloco comunista, que não conseguia acompa¬nhar o desenvolvimento econômico de seu rival capitalista. Faltava fôlego para manter o passo com os EUA na acelerada corrida armamentista promovida pelo pre¬sidente norte-americano Ronald Reagan. A economia soviética estava estagnada e a população vivia problemas de desemprego e desabastecimento de itens básicos, como alimentos, roupas e calçados.
Nesse quadro agudo de crise, subiu ao poder, em meados dos anos 1980, o líder Mikhail Gorbatchev, que deu início a duas grandes reformas. Na política, a glasnost (transparência) abrandou a censura. Na economia, a perestroika (reestruturação) restabeleceu com limites a propriedade privada e liberou a instalação de em¬presas privadas. Logo as reformas se refletiam nos países do Leste Europeu, com a derrubada de governos e a redemocratização de regimes.
Em 1989, o governo da Alemanha Orien¬tal não conseguiu mais deter as mani¬festações populares pela abertura das fronteiras e desistiu de proteger o Muro de Berlim. A Alemanha iniciou então o processo de reunificação, concluído em 1990, pagando um alto preço, com aumento do desemprego e atentados de grupos neonazistas contra imigrantes.
Em 31 de dezembro de 1991, a URSS dei¬xou de existir, desmantelando-se em 15 repúblicas - a maioria reunida na Comu¬nidade de Estados Independentes (CEI), sob o controle da Federação Russa. As nações que se mantiveram comunistas - como Coréia do Norte e Cuba - não tinham poder suficiente para constituir um bloco comunista coeso. Chega ao fim a Guerra Fria e estabelece-se um cenário diferente em escala global.
Nessa nova ordem mundial, amplia-se o papel hegemônico dos Estados Unidos como principal potência internacional. Começa o período da globalização, ca¬racterizado pela interdependência entre os mercados, governos e movimentos so¬ciais do mundo todo. Os países buscam expandir sua influência a partir da esfera regional - o que provoca uma série de conflitos localizados. Como superpotência militar, os Estados Unidos aumentam nos anos seguintes a presença de suas tropas em nações do Leste Europeu, do Oriente Médio, da Ásia e da África.
O triunfo do capitalismo como sistema econômico dominante sobre os antigos países comunistas reforça a idéia de que a economia deve regular-se pela lei de oferta e procura, sem intervenção do Estado. É o neoliberalismo. O mercado mundial se expande, com a entrada das ex-nações comunistas. Mas a desigualda¬de entre países ricos e pobres se mantém e, em muitos casos, até cresce.
MURO DE BERLIM EM PROCESSO DE RESTAURAÇÃO

"Quando o primeiro pedaço do Muro de Berlim foi destruído, na noite de 9 de novembro de 1989, a comoção foi geral. Em um mês, os alemães e curiosos do mundo inteiro - se precipitaram até o local, para participar da demolição do "muro da vergonha", a barreira que di¬vidiu a Alemanha em duas por quase três décadas. Hoje, às vésperas do ani-versário de 20 anos da queda do muro, as atenções estão voltadas para, quem diria, o restauro do que sobrou do grande símbolo da Guerra Fria.
Nada a ver com política, mas com pa¬trimônio histórico. Do muro que muitos alemães passaram 28 anos querendo der¬rubar, só restou em pé um trecho de km, decorado com trabalhos de cerca de 120artÍstas, de mais de 20 países. E é esse trecho remanescente, chamado de Galeria do Leste, atuai ponto turístico de Berlim, que está precisando de reparos. (...)
(...) Agora, os artistas que participaram da elaboração desse painel estão sendo chamados para restaurares próprios tra¬balhos. A idéia é que tudo fique pronto para o aniversário de 20 anos do fim do muro, em 9 de novembro de 2009."
Grazieíía Beting - História Viva, 25/9/2008

Ao espaço e além

Uma das principais frentes de embate da Guerra Fria foi a corrida espacial. Entre 1957 e 1975, a URSS e os EUA competi¬ram acirradamente pela supremacia na exploração do espaço, por meio do lança¬mento de satélites artificiais e do envio do homem à Lua. A corrida trouxe, para cada um dos lados, dividendos culturais, tecnológicos e ideológicos.
Os soviéticos largaram na dianteira: foram eles que colocaram em órbita o pri¬meiro satélite, Sputnikl, em 1957- A idéia de um satélite inimigo pairando sobre o mundo levou a administração Eisenhower a fundar a agência espacial norte-americana (Nasa). Enquanto os EUA se organizavam, a URSS fazia novas conquistas: ainda em 1957, os soviéticos colocaram em órbita o primeiro ser vivo, a cadelinha Laika, e, em 1961, o primeiro homem, o astronauta Yuri Gagarin. No mesmo ano, os EUA lançaram o Programa Apollo, que tinha como objetivo levar o homem à Lua. A meta foi atingi¬da em 1969, com a Apollo 11. Os norte-americanos pousaram outras cinco naves tripuladas na Lua até 1972. O interesse das duas nações voltou-se, então, para ou¬tra direção - a montagem de laboratórios para uso científico e industrial e de bases militares em órbita da Terra (daí a cons¬trução das estações espaciais). Em 1975, norte-americanos e soviéticos juntaram os programas Apollo e Soyuz (soviético), num encontro histórico dos tripulantes das duas naves, em órbita da Terra. Foi o fim oficial da corrida espacial.
Desde os primeiros lançamentos, os sa¬télites artificiais já tinham propósitos científicos, como o estudo da atmosfe¬ra superior e do campo magnético que envolve o planeta. É da corrida espacial também que resultaram alguns dos mais impressionantes instrumentos de obser¬vação, como o telescópio espacial Hubble, que permite aos astrônomos vislumbrar os confins do universo.
A disputa pela supremacia espacial ren¬deu grandes dividendos tecnológicos. Ma¬teriais desenvolvidos especialmente para as viagens espaciais encontraram uso nas mais diferentes indústrias. Do solado dos calçados tipo tênis às embalagens seladas de alimentos, da tecnologia de diagnóstico por imagens aos satélites de comunicação e sensoriamento remoto - o dia-a-dia do mundo pós-corrida espacial está carregado de subprodutos dessa disputa.
A indústria bélica também lucrou com a corrida, com o desenvolvimento de sistemas de observação da superfície e de foguetes que levaram à construção de mísseis balís¬ticos de grande alcance e precisão. Assim, ao mesmo tempo em que era utilizada como símbolo de superioridade ideológica e eco¬nômica de cada país, a corrida espacial ser¬viu diretamente a propósitos militares.

Para saber mais leia: Atualidades vestibular 2009 – Ed. Abril

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Prof. Miguel