sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Federação Russa

Caldeirão étnico

A palavra federação no nome do país indica um enorme guarda-chuva que abriga cerca de 130 povos pertencentes a 21 repúblicas, dez distritos e uma região autônoma. Esses territórios têm governo local e autonomia parcial no interior do Estado russo - e a Rússia, território do oeste do país, na porção européia, é a república mais forte e importante, que abriga a capital, Moscou.
Fora da área da Rússia propriamente dita, russos étnicos compõem a maioria da população em vários lugares. Há di¬versos focos de tensão no país. Um dos piores encontra-se no norte do Cáucaso, que abrange a Chechênia, república de maioria muçulmana que luta pela inde¬pendência.
O conflito remonta à época soviética, quando milhares de chechenos foram obrigados a mudar-se para outras regiões, enquanto a Chechênia era colonizada por imigrantes russos (a "russificação"). Com o tempo, os chechenos começaram a voltar para casa, e instalou-se um conflito. Com o fim da URSS, declararam independência. A Federação Russa não aceitou e, em 1994, mandou tropas para a república. Seguiram-se duas guerras sangrentas, que deixaram mais de 100 mil mortos. A partir daí, há uma instabilidade permanente, com ataques terroristas dos rebeldes dentro e fora dos limites da Chechênia.
O governo russo não aceita negociar a independência chechena pelo medo da desagregação nacional. Outros povos da Federação Russa também alimentam anseios separatistas. Além disso, o con¬trole da rota do petróleo torna o Cáucaso importantíssimo para o Estado russo.

Kosovo: novo país?

Outra divergência entre a Federação Russa e os Estados Unidos está relacio¬nada com Kosovo, província da Sérvia que em fevereiro passado declarou inde¬pendência. A medida provocou violentos protestos da minoria servia que habita a região (90% dos kosovares são da etnia albanesa). A Federação Russa (o principal aliado da Sérvia) condenou a decisão e chegou a convocar o Conselho de Se¬gurança da ONU para tentar invalidar a independência da província. Um dos motivos é o temor de que a medida crie precedente para outros conflitos separa¬tistas, como os que o governo russo enfrenta de Kosovo, entretanto, foi reconhecida pelos norte-americanos e pela maioria dos países da União Européia.
Esse é mais um capítulo da desagrega¬ção da antiga Iugoslávia, país comunis¬ta da região dos Bálcãs, formado como uma federação de seis repúblicas: Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegóvina, Montenegro e Macedônia. Com a queda do Muro de Berlim (1989) e a desintegração da URSS (1991), a Iugoslávia frag¬mentou-se. Entre 1991 e 1995 foi palco de uma guerra sangrenta envolvendo separatistas eslovenos, croatas e bósnios e grupos armados sérvios, cujo principal líder era Slobodan Milosevic.
A Sérvia foi acusada, em 1998, de mas¬sacrar a população albanesa de Kosovo.
O então presidente dos EUA, Bill Clinton, pressionou Milosevic a interromper essa política. Sem sucesso, os EUA e seus aliados europeus recorreram à Otan para bombardear a Sérvia, em 1999. Milosevic renunciou, e Kosovo passou a ser protetorado internacional. Foi quando se come¬çou a discutir um plano de independência para a província, ao qual a Federação Russa se opôs desde o começo.
Agora, como a nova Constituição kosovar não especifica o papel da missão da ONU nessa nova situação, criou-se um impasse. A Otan propõe mandar tropas de segurança para substituir a atual política kosovar. Se aprovada, a medida pode consolidar a influência norte-americana na região, o que deve ampliar a tensão entre o governo russo e os EUA.
Tensão na Geórgia

A Federação Russa e a Geórgia têm re¬lações diplomáticas complicadas. São problemas associados aos conflitos na Ossétia do Sul e na Abkházia (veja o mapa), regiões da Geórgia fortemente influenciadas por Moscou e que lutam pela independência desde 1990.
A tensão vem desde antes da derrocada da URSS, quando movimentos nacionalis¬tas na Geórgia começaram a tomar força. As manifestações eram reprimidas brutal¬mente pelos militares soviéticos. Desde
então, Moscou é vista como inimiga pelos georgianos. Até hoje, soldados e negocia¬dores russos estão presentes na Ossétia do Sul e na Abkházia, maneira de manter a influência do país na região.
A Geórgia acusa a Federação Russa de tentar anexar as duas regiões separa¬tistas. Já os russos dizem que a Geórgia promove uma política externa anti-russos. Moscou também acusa o governo Geórgia no de apoiar os rebeldes chechenos com o envio de suprimentos e reforços.

Para saber mais leia Atualidades vestibular – editora Abril

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