sábado, 17 de abril de 2010

Itália e Alemanha

Somente no fim do século XIX, Itália e Alemanha se consolidaram como Estados Nacionais, o que explica a entrada tardia desses países na corrida industrial e imperialista dos séculos XIX e XX. O processo de unificação italiana se completou em 1870, e o alemão em 1871. Só depois de organizados politicamente, Itália e Alemanha iniciaram seu processo de industrialização.
Embora perdedores de duas guerras mundiais, lutando do mesmo lado, os dois países tiveram trajetórias diferentes. A Alemanha foi dividida, viveu sob o regime comunista em sua parte oriental e perdeu territórios nas duas guerras. Começa o século XXI reunificada e com o PIB mais alto da União Européia.

Itália
Como dissemos, a industrialização italiana começou no fim do século XIX, após a unificação da Península Itálica. A principal diferença entre a Itália e as outras três potências colonialistas européias (França, Alemanha e Reino Unido) estava no fato de o território italiano ser pobre em recursos minerais. Por outro lado, a Itália, por ter entrado tardiamente na disputa pelas colônias da época, não se beneficiou de um império colonial que abastecesse o país de matérias-primas ou funcionasse como mercado para seus produtos. Perdedor de duas guerras mundiais, o país teve sua economia destruída pelo segundo desses conflitos.

A industrialização após a Segunda Guerra

Beneficiada pelo Plano Marshall, a economia italiana foi reconstruída nas décadas de 1950 e 1960, também favorecida pela participação na criação da Comunidade Econômica Européia, embrião da atual União Européia.
Apesar dos esforços do governo, que participou da reconstrução da economia como empresário e planejador, as indústrias italianas concentraram-se no Norte do país (Piemonte e Lombardia). O Sul, de estruturas tradicionais, marcadamente agrícola, contrasta fortemente com o Norte industrializado. Uma das maiores preocupações dos dirigentes italianos, nas últimas décadas, tem sido diminuir as desigualdades regionais (Norte/Sul), através de incentivos para a instalação de indústrias no Sul do país (Mezzogiorno).
Pobre em combustíveis fósseis, a Itália aproveita a energia hidrelétrica de rios que nascem nos Alpes e importa petróleo e gás natural de países do Norte da África e do Oriente Médio.
A principal região industrial italiana é o "triângulo" Milão-Turim-Gênova, no Norte do país, onde também se destacam as cidades de Trieste, Bolonha e Parma. No Sul, existem pólos industriais em Nápoles, Bari, Brindisi, Tarento, na Sicília e na Sardenha.
O parque industrial italiano é bastante diversificado, sendo famosas as marcas Fiat (automóveis), Parmalat (laticínios), Olivetti (eletrônicos), Pirelli (produtos químicos), sem falar nas grifes da moda atual (Benetton, Armani, Gucci, Versace).
Devido à participação ativa do Estado na reconstrução da Itália pós-guerra, é grande o número de empresas estatais nos setores básicos da economia, como siderurgia e transportes, embora algumas dessas empresas estejam sendo privatizadas.

Alemanha

Unificada em 1871, a Alemanha sempre foi uma potência bélica e com tendências a expandir seus domínios no continente europeu. Além disso, tentou disputar a posse dos impérios coloniais formados por França e Inglaterra, na África. Essa enorme ambição levou o país a conflitos em 1914-1918 (Primeira Guerra) e em 1939-1945 (Segunda Guerra), dos quais saiu derrotado e humilhado. Essas derrotas resultaram em perda de territórios e na destruição do parque industrial alemão. Entretanto a maior das punições foi a divisão do país após a Segunda Guerra.

O crescimento rápido no século XIX

Apesar de ter se industrializado um século depois da França e do Reino Unido, a Alemanha já tinha superado essas nações no fim do século XIX e liderava, com os Estados Unidos, a introdução das modernas tecnologias que caracterizaram a Segunda Revolução Industrial.
Desde o início, a região industrial alemã se formou na bacia dos rios Reno e Ruhr. O primeiro é a via de ligação do país com o mar do Norte; no segundo havia as ricas minas de carvão que atraíram indústrias para a região.

A reconstrução após 1945

Para compreender melhor a reconstrução da Alemanha destruída pela guerra, é preciso levar em consideração que, de 1949 até 1990, existiram duas Milão, localizada no Norte, é a segunda cidade mais populosa da Itália, após Roma. A capital da Lombardia é o maior centro industrial e a capital econômica do país.

Alemanhas.

Eram dois países diferentes, um de regime socialista e economia planificada (Alemanha Oriental) e outro integrante do mundo capitalista (Alemanha Ocidental). Enquanto a Alemanha Oriental se perdia na burocracia e no atraso tecnológico da economia planificada, a Alemanha Ocidental reerguia sua economia com a ajuda do Plano Marshall e participava da criação da Comunidade Econômica Européia, tornando-se a terceira potência do mundo capitalista.

A DIVISÃO DA ALEMANHA

As duas Alemanhas passaram quarenta anos em "mundos" diferentes. Reconheceram-se mutuamente na ONU na década de 1970, mas competiam em Olimpíadas e Copas do Mundo com equipes próprias. Amigos e parentes viviam separados arbitrariamente, desde 1961, pelo Muro de Berlim, que só seria derrubado em 1990. Compare alguns dados sobre as duas Alemanhas.
A reunificação alemã aconteceu em 3 de outubro de 1990, quase um ano após a queda do Muro de Berlim. O líder da Alemanha Ocidental, Helmut Kohl negociou a unificação com Mikhail Gorbachev (líder da URSS) e George Bush (então presidente dos Estados Unidos), apesar da oposição do Reino Unido e da França, que temiam a nova ascensão da potência européia mais beligerante do século XX.
Mesmo estando entre as economias mais fortes do mundo, a nova Alemanha enfrentou e enfrenta ainda grandes problemas de ajustamento e adaptação. Não se pode esquecer que os dois países, durante quarenta anos, seguiram orientações econômicas opostas e que a Alemanha Ocidental pagou as contas da unificação, ou seja, teve de investir muito dinheiro para levantar a economia da Alemanha Oriental.
Veja a seguir os principais problemas ocorridos no processo de reunificação das duas Alemanhas:
• O baixo nível tecnológico das indústrias orientais levou à falência inúmeras fábricas que não aguentaram a concorrência com as empresas ocidentais.
• A falência dessas indústrias agravou o problema do desemprego. A competição no mercado de trabalho acabou por opor alemães-ocidentais e alemães-orientais.
- Apesar da alegria do reencontro com amigos e parentes depois de tantos anos, não é fácil a convivência entre alemães do Oeste e do Leste. Os dois países tinham ideologias muito diferentes para que houvesse uma imediata identidade de idéias, costumes e modo de vida, entre as populações de ambos os lados.
• As diferenças entre o lado oriental e o ocidental, apesar dos maciços investimentos na reunificação, ainda são grandes. O índice de desemprego no Leste é quase três vezes o da antiga Alemanha Ocidental.
Entretanto resultados positivos têm sido obtidos com o crescimento econômico de áreas da antiga Alemanha Oriental.

As regiões industriais da Alemanha

A área mais industrializada do país continua sendo a Renânia, situada na confluência dos rios
Reno e Ruhr. Essa região forma a megalópole Reno-Ruhr, que reúne cidades como Colônia, Essen, Dort-mund, Düsseldorf e outras. Aí encontramos vários ramos industriais, como o siderúrgico, o automobilístico, o petroquímico, o de mecânica de precisão, o eletroeletrônico e o bélico.
Alguns centros isolados têm importância por sediarem fábricas de grandes transnacionais:
• Em Stuttgart está o grupo Daimler-Benz (automóveis).
• Em Munique, a Bayer (produtos químicos).
• Em Wolfsburg, a Volkswagen (automóveis).
Outras regiões industriais importantes estão concentradas em torno de cidades, como Frankfurt (mercado financeiro), Hamburgo (principal porto), Bremen, Leipzig e Dresden, as duas últimas na ex-Alemanha Oriental.

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