sábado, 17 de abril de 2010

Estados Unidos - Potência Mundial

O Destino Manifesto

Depois de conquistar a independência em 1776, a nova nação iniciou sua expansão territorial tendo com justificativa a ideologia do Destino Manifesto, ou seja, a certeza de que o povo norte-americano fora predestinado por Deus a ocupar e colonizar as terras que se estendiam até o Pacífico. A maior parte dos primeiros habitantes dos Estados Unidos eram protestantes que viam o lucro e as riquezas como consequência de uma escolha divina e do trabalho, e não como um pecado. Essa ética protestante foi um importante fator cultural que justificou a expansão territorial norte-americana ser considerada natural e benéfica, e não como uma agressão aos povos que já habitavam o território.
Na realidade, a doutrina do Destino Manifesto justificou, no início, a conquista de terras até o limite natural imposto pelo rio Mississipi (área original das Treze Colônias inglesas); posteriormente, foram conquistados novos territórios que se estendem até o oceano Pacífico. A incorporação de novos territórios fez parte do período do imperialismo interno, que se iniciou na independência que a nação americana obteve em relação à Inglaterra em 1776, e continuou durante o século XIX, no período conhecido como Marcha para o Oeste.

Do Atlântico ao Pacífico

A expansão dos Estados Unidos para o Oeste envolveu tanto tratados e acordos como guerras e o extermínio da população nativa. Observe, no mapa a seguir, as conquistas norte-americanas desse período.
Nessa primeira fase de ocupação do território, além das guerras foi preciso solucionar duas' dificuldades básicas: um meio de transporte que permitisse percorrer grandes distâncias e gente para povoar e trabalhar nas novas terras. As soluções encontradas foram a construção de ferrovias transcontinentais e a imigração, principalmente européia. Dessa forma, na segunda metade do século XIX, os Estados Unidos já ocupavam a parte do território que possuem hoje na América do Norte. Começa, então, a preocupação desse país em obter a hegemonia em todo o continente americano.

A "América para os americanos do Norte?

À medida que as colônias da América Central e da América do Sul iam se tornando independentes, os Estados Unidos também se fortaleciam como potência continental. Em 1825, o presidente norte-americano James Monroe deixou claro que o país não toleraria a influência de potências européias na América em um discurso que ficou conhecido como Doutrina Monroe. A partir daí, sempre com nomes diferentes, como a Política do Big Stick, do presidente Theodore Roosevelt (1904), ou a Doutrina da Segurança Nacional, empregada na guerra fria, os Estados Unidos passaram a realizar, sob qualquer pretexto, intervenções armadas na América Latina, para garantir sua hegemonia no conjunto do continente americano.
Dois fatos destacaram-se nessa fase de expansão continental norte-americana. Um deles foi a construção do canal do Panamá, concluída em 1914. O canal foi devolvido aos panamenhos em l- de janeiro de 2000. O outro, também nesse período, foi o controle econômico de Cuba pêlos norte-americanos, em troca da ajuda na guerra de independência dos cubanos contra a Espanha.

A expansão planetária

Uma vez garantida a hegemonia na América, os Estados Unidos partiram para a ocupação de ilhas do Pacífico Sul, numa visão estratégica que se revelaria importante no futuro, mais precisamente na Segunda Guerra Mundial. As ilhas de Guam foram anexadas em 1898 e, no mesmo ano, o arquipélago do Havaí, que em 1959 se tornou o 50? estado da federação.

A arrancada Industrial

No século XIX, após o principal conflito norte-americano, a Guerra Civil Americana ou Guerra de Secessão (1861-1865), em que as elites do Norte (caracterizado pelo predomínio da mão-de-obra assalariada, pequenas propriedades e uma economia voltada para o mercado interno) venceram o Sul agrário (caracterizado pelo predomínio de latifúndios, mão-de-obra escrava negra e um mercado voltado para a exportação de gêneros agrícolas), o país iniciou seu processo de industrialização. Foi essa burguesia formada por comerciantes capitalistas que criou as condições para a industrialização da região Nordeste do país (espaço compreendido entre a costa atlântica e os Grandes Lagos). Essa área reunia na época (século XIX) condições para tornar os Estados Unidos a primeira nação, fora da Europa, a realizar a Revolução Industrial:
- jazidas de minério de ferro em escudos cristalinos nos estados de Minnesota e Wisconsin (ao lado do lago Superior);
- jazidas de carvão em bacias sedimentares nos estados da Pensilvânia e Ohio;
- os Grandes Lagos, ligados pelo rio São Lourenço ao oceano Atlântico, tornaram-se importantes vias de transporte;
- um espaço integrado por ferrovias;
mercado consumidor interno, constituído de assalariados que compravam e vendiam mercadorias, estimulando dessa forma as atividades comerciais e industriais.
A expansão territorial, a ética protestante, o trabalho assalariado, a diversidade mineral, as ferrovias e a expansão industrial resultaram na formação da nação mais rica do mundo desde o fim do século XIX. Essa posição se consolidou no período da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), quando os Estados Unidos passaram a ser o grande exportador para uma Europa em guerra e arrasada.

A crise de 1929, o New Deal e a Segunda Guerra

O notável crescimento dos anos de ouro da economia dos Estados Unidos (os anos 1920), impulsionada pelo liberalismo econômico, teve um final infeliz com a crise de 1929 na Bolsa de Nova York. Os anos 1930 foram de reconstrução, do New Deal e do Estado de Bem-Estar Social. Em 1939, o país foi "beneficiado" por uma nova guerra mundial, passando a dominar a economia do mundo capitalista a partir do fim desse conflito, em 1945.

A potência dos anos 1990

Com o fim da guerra fria, os Estados Unidos assumiram isoladamente o lugar de única potência econômica e militar do mundo.
A organização do l espaço econômico I norte-americano
Ao mesmo tempo que os Estados Unidos impunham sua supremacia econômica ao mundo, seu espaço econômico foi sendo organizado segundo as características assumidas pelo país em escala global.
Podemos considerar, nos Estados Unidos, duas principais regiões geoeconômicas, caracterizadas por diferentes processos de industrialização e que se misturam às faixas onde é praticada uma das mais modernas agriculturas do mundo, os cinturões agrícolas (belts, em inglês), que constituem a terceira região geoeconômica do país.

Principais regiões industrializadas dos Estados Unidos

Manufacturíng Belt

O Manufacturíng Belt, ou Cinturão Fabril, compreende a região que se estende do Nordeste dos Estados Unidos até os Grandes Lagos. Área onde se iniciou a industrialização do país, forma atualmente a maior concentração urbano-industrial do mundo, tendo como uma de suas características a megalópole Boswash {áreas metropolitanas de Boston, Nova York, Filadélfia, Baltimore e Washington, que se fundiram).
Algumas das cidades localizadas nessa área foram ou ainda permanecem especializadas em determinados ramos industriais, como Chicago (a terceira maior cidade, capital do Meio-Oeste, localizada no estado de Illinóis) e suas indústrias alimentícias. Aí está sediada a principal Bolsa de Valores de produtos agropecuários do mundo. Cleveland, no estado de Ohio, destaca-se por sua produção siderúrgica e por ser importante centro médico e universitário. Detroit, considerada a capital do automóvel, já foi sede 'das montadoras GM, Ford e Chrysler, e Pittsburgh, em virtude do grande número de siderúrgicas, é conhecida como "a cidade do aço". Nova York é a maior cidade norte-americana, principal porto, pólo turístico e industrial do país e centro financeiro mundial. Boston, cidade antiga e tradicional, é um tecnopolo, sede do MIT (Massachusetts Institute of Technology).
O Manufacturing Belt é composto de indústrias típicas da Primeira e da Segunda Revolução Industrial, como as de bens de produção e intermediários e as de bens de consumo duráveis. Atualmente, seguindo uma tendência mundial, as empresas buscam novas áreas que reuniam mão-de-obra mais barata, qualificada, isenções fiscais, pouca organização sindical e menores custos de produção. Esses motivos, abados a fatores como investimentos governamentais em outras regiões e a busca de modernas tecnologias, resultaram numa participação menor desse tipo de indústria no conjunto do país, apesar de ainda se manter na liderança do setor.

Sun Belt

As regiões Sul e Oeste se beneficiaram dessa descentralização industrial que buscou novas áreas que oferecessem menores custos de produção, aliados a uma mão-de-obra mais barata e qualificada. Os estímulos dados pelo governo também foram fundamentais para essa mudança, como a descentralização da indústria bélica, que criou novas indústrias no Oeste e no Sudeste,
A expressão Sun Belt (Cinturão do Sol) é relativa às novas áreas industriais que foram criadas principalmente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e que se diferenciaram da tradicional industrialização do Nordeste por utilizar novas tecnologias, como a informática, a biotecnologia, a indústria aeroespacial e a microeletrônica, típicas da Terceira Revolução Industrial.
Essas novas áreas industriais têm seus principais centros no estado do Texas (Sul) e na Califórnia (Oeste). No Texas (segundo estado mais populoso, após a Califórnia) está a sede de importantes empresas transnacionais, como a de petróleo Texaco (Texas Company), a de aviação American Airlines; a de microcomputadores Compac, a Nasa (Centro Espacial de Houston) e um importante tecnopolo localizado em Austin.
Na costa oeste, o estado da Califórnia tem no eixo São Francisco - Los Angeles sua principal área industrial, que envolve o importante tecnopolo do Vale do Silício. Ainda merecem destaque os tecnopolos da costa oeste: São Francisco, Los Angeles e Santa Fé. Aí estão instaladas indústrias bélicas, automobilísticas, petroquímicas, navais, aeronáuticas, alimentícias, entre outras, e importantes universidades, como Berkeley. Ainda na costa oeste, encontramos grandes centros industriais, como Seattle e Portland.
Outras áreas do Sudeste e do Sul merecem destaque, como os estados da Flórida (pólo turístico e centro aeroespacial), Louisiana (petroquímica), Geórgia (sede da Coca-Cola e da companhia aérea Delta Air línes) e o Alabama (indústrias siderúrgicas).

Os cinturões agrícolas

A agricultura dos Estados Unidos, a mais moderna e produtiva do mundo, organiza sua produção em grandes faixas ou cinturões agrícolas (belts), especializados no cultivo de determinados produtos.
A agricultura norte-americana apresenta avançada tecnologia que resulta na maior produção mundial nesse setor.

Poderio militar e político

O poderio militar dos Estados Unidos é incomparável. Arsenal nuclear, armas químicas, constantes avanços na conquista espacial e bases estratégicas no oceano Pacífico (Guam) e no Caribe (Ilhas Virgens) tornam o país ainda mais respeitado do que já é por sua economia. Sem dúvida alguma, o homem mais importante do mundo é o presidente dos Estados Unidos da América.
Uma das mais recentes demonstrações do poder norte-americano é o fato de o presidente George W. Bush não cumprir as metas propostas pela Conferência de Kyoto, realizada em 1997 no Japão, segundo a qual todos os países deveriam baixar a emissão de poluentes na atmosfera. Por isso, os Estados Unidos têm sido criticados em todo o mundo. Esse contexto político e socioeconômico faz com que qualquer recessão nesse país represente uma recessão mundial. Por outro lado, qualquer retomada econômica ou crescimento industrial significa uma tendência mundial. Nos anos 2000-2001 os Estados Unidos apresentaram sinais de desaquecimento econômico, agravado por uma crise energética em seu estado mais rico e populoso, a Califórnia. Segundo a Agência Internacional de Energia, as fontes primárias de energia nos Estados Unidos são, basicamente, petróleo (38,9%), carvão mineral (23,6%), gás natural (22,8%), energia nuclear (8,5%), hídrica (1,2%}, biomassa (3,5%) e outras (0,6%).

Grande crescimento populacional

O Censo realizado nos Estados Unidos em 2000 revelou que o país teve o maior crescimento populacional num período de dez anos (1990-2000). A população, pela primeira vez depois de um século, aumentou em todos os estados. A Califórnia (33,8 milhões), o Texas (20,8 milhões) e Nova York (18,9 milhões) são os três estados mais populosos.
O aumento populacional da década 1990-2000 foi de 13,2%, o que significou mais 32,7 milhões no total de habitantes.

A guerra do século XXI

Os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos desencadearam a primeira guerra do século XXI.
"A guerra, por definição, é uma atividade que tem dois lados." Considerando essa afirmação do historiador israelense Martin Van Creveld, teríamos que definir um opositor para o país agredido, os Estados Unidos. Logo que o terrorismo islâmico tornou-se o principal suspeito dos atentados, o inimigo tomou a forma de Osama Bin Laden, o milionário saudita que financia e organiza as atividades terroristas islâmicas em vários países.
E o mundo islâmico ou muçulmano, o Islã, passou a ser o outro lado dessa guerra. Choque de civilizações e Ocidente versus Islã foram, entre outras, as expressões usadas para caracterizar o novo conflito em que os Estados Unidos se envolveram. Entretanto a situação não é tão simples. Em primeiro lugar, não se pode confundir terrorismo islâmico com o Islã, no qual a maioria prega a paz. Mas o líder terrorista Bin Laden conclamou os muçulmanos para "uma Guerra Santa que não permita aos Estados Unidos viver em paz até que a paz reine na Palestina e o exército de infiéis deixe a terra de Maomé". Essa última afirmação se refere à presença de tropas dos Estados Unidos na Arábia Saudita. Uma significativa parte de fiéis islâmicos atendeu a esse chamado e obedece cegamente às ordens do seu líder.
Do lado ocidental, o jogo de alianças envolve tanto aliados tradicionais dos Estados Unidos, como o Reino Unido e o Canadá, quanto antigos inimigos, como a Rússia e a China, que vêem vantagem em apoiar, "com ressalvas", as coalizões contra o terror. A Rússia conta com o silêncio dos norte-americanos a respeito da dura repressão dos rebeldes muçulmanos da Chechênia. A China enfrenta o mesmo problema com a província islâmica de Xinjiang e espera que os Estados Unidos parem de cobrar o cumprimento dos direitos humanos na repressão aos rebeldes. Alguns governos de países muçulmanos estão do lado dos Estados Unidos porque dependem economicamente desse país, mas não representam, na verdade, o pensamento da grande maioria de seus governados.
Dessa forma, fica difícil definir exatamente o opositor ou o "outro lado" da guerra norte-americana do terceiro milênio. Mas, sem dúvida nenhuma, o alvo dos ataques e bombardeios das Forças Armadas dos Estados Unidos é o país que dá abrigo a Osama Bin Laden, o Afeganistão, que até 2001 foi controlado pela milícia ultra-radical islâmica, o Talehan.

A geografia serve para lazer a guerra

O quadro natural do Afeganistão facilita a ação dos islâmicos e dificulta os ataques dos aliados ocidentais. Isso ocorre devido à presença de montanhas que sempre representaram um impedimento à entrada de inimigos no país. Metade do território afegão fica acima dos 2 000 m de altitude. A cordilheira Hindo Kush, que atinge mais de 7 000 m, ocupa grande parte do Afeganistão. Nessas montanhas foram construídas cavernas para abrigaras bases terroristas. Além disso, a continentalidade e a altitude tornam mais inóspito o clima da região. É praticamente impossível circular pelas áreas montanhosas durante o inverno, que se inicia em dezembro.
Portanto, montanhas, frio intenso e tempestades de neve foram alguns dos adversários dos Estados Unidos e seus aliados na campanha contra Bin Laden, até a rendição do Taleban.

A nova corrida armamentista

Se durante a guerra fria o medo do poder de destruição das armas nucleares impediu o confronto direto entre as duas potências, dessa vez as armas biológicas, com sua ameaça lenta e psicológica, entram em ação na guerra do século XXI. Entretanto as armas biológicas (bioartnas), se usadas em grande quantidade, causariam efeitos destruidores, provocando não só a morte, mas também a incapacitação de milhares de pessoas.
A primeira dessas bioarmas empregadas por terroristas no atual conflito é o antraz (Bacilus anthracis) — bactéria que causa comumente dois tipos de infecção: cutânea e respiratória. A infecção cutânea se desenvolve quando o bacilo, presente em animais, infecta a pele de seres humanos, que desenvolvem uma pequena úlcera de coloração escura. A contaminação respiratória ocorre quando a bactéria é inalada e vai direto para os pulmões. O quadro pode levar à morte por infecção generalizada.
Existe uma grande variedade de doenças que podem ser disseminadas como "armas" através de bactérias (por exemplo, a peste bubônica e o botulismo) e vírus (por exemplo, a varíola) desenvolvidos em laboratórios.
Os países que possuem armas biológicas são Estados Unidos, Argélia, Líbia, Sudão, Ira, Iraque, Israel, Síria, Rússia, Egíto e Coréia do Norte. Outros, como Suíça, Itália, Suécia, Brasil, Argentina e Austrália, desenvolvem vírus em laboratório para pesquisas com fins medicinais.

4 comentários:

Fico muito agradecido pela sua visita.
Me perdoe não poder responder às suas perguntas.
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Se não gostou, não há necessidade de expor sua ira, frustrações ou ignorância escrevendo grosserias. Simplesmente procure outro material na internet.
Forte abraço!
Prof. Miguel