sábado, 17 de abril de 2010

China

A REPÚBLICA POPULAR DA CHINA

A Ásia, com uma extensão de 44 milhões de quilômetros quadrados – aproximadamente 30% das terras imersas do globo - é o maior continente do planeta, apresentando climas, relevos e paisagens botânicas muito diversificadas. Seus 3 bilhões de habitantes Compõem metade da população mundial. O nordeste asiático, que abrange a Coréia do Norte, a Coréia do Sul, o Japão, a Mongólia e Taiwan, tem como principal país a República Popular da China.

OS LIMITES GEOPOLÍTICOS DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA
A China, cuja área é de 9.596.961 km2, tem como limites:
NORTE - Mongólia
NORDESTE - Rússia
LESTE - Coréia do Norte, Mar Amarelo e Estreito de Formosa (Taiwan)
SUL - República Democrática do Vietnã, Laos, Butão e Mianmá (ex-Birmânia)
OESTE - Paquistão, Tadjiquistão e Quirguízia
SUDOESTE - Índia e Nepal
NOROESTE - Cazaquistão

A CHINA EM NÚMEROS

CAPITAL - Beijing (Pequim)
ÁREA - 9.562.036 km2
MOEDA - iuan
IDIOMAS - mandarim e dialetos regionais (principais: vu, min e cantonês)
RELIGIÃO - crenças populares (20,3%); budismo (8,5%); islamismo (1,4%); cristianismo (0,1%), sem
filiação e ateísmo (64%)
POPULAÇÃO - 1 bilhão e 300 milhões de habitantes
COMPOSIÇÃO ÉTNICA - chineses han (91%) e grupos étnicos minoritários: chuans, manchus, uigures, huis, yis, tibetanos, mongóis, miaos, puyis, dongues, iaos, coreanos, duias, bais, hanis, cazaques, dais, lis e outros
CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO - 0,9% ao ano
ANALAFABETISMO - 15%
MORTALIDADE INFANTIL - 41 crianças em mil
EXPECTATIVA DE VIDA - 68 anos para os homens e 72 anos para as mulheres
ESCOLARIZAÇÃO DE SEGUNDO GRAU - 43,7%
ESCOLARIZAÇÃO DE TERCEIRO GRAU - 5,7%
PIB - 980 bilhões de dólares
RENDA PER CAPITA - 780 dólares
POPULAÇÃO ECONOMICAMENTE ATIVA (PEA) - 745 milhões
CONTRIBUIÇÃO DA AGROPECUÁRIA PARA O PIB - 18%
CONTRIBUIÇÃO DA INDÚSTRIA PARA O PIB - 49%
CONTRIBUIÇÃO DOS SERVIÇOS PARA O PIB - 33%

O RELEVO DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA

O relevo chinês apresenta enormes contrastes altimétricos.
OESTE - cordilheiras e planaltos que descem em direção a leste, destacando-se a Cordilheira do Himalaia, com altitudes superiores a 4.000m
NOROESTE - os planaltos da Ásia Central, com destaque para o Sin Kiang, de estrutura sedimentar, onde estão presentes bacias hidrográficas sem escoamento para o mar, fundamentalmente o rio Tarim NORDESTE - o planalto da Mongólia interior contorna o deserto de Gobi,onde se localiza a planície da Manchúria
CENTRO-OESTE - o planalto do Tibete
LESTE - extensas planícies aluviais cortadas por grandes rios, como o Rio Amarelo (Huang Ho), com solos extremamente férteis
SUDESTE - a planície da China setentrional, marcada pela presença do Rio Azul (Tsé-Kiang) e dos baixos planaltos da Bacia Vermelha
AO SUL DO RIO YANG TSÉ-KIANG (AZUL) - planaltos rebaixados e inúmeras pequenas bacias fluviais

HIDROGRAFIA

Os grandes rios chineses são:
AS BACIAS FLUVIAIS CHINESAS
RIO AMARELO (HUANG HO) - nasce nas áreas montanhosas do Tibete e deságua nas proximidades de Nanquim
RIO AZUL (YANG TSÉ-KIANG) - com 5.500km, também proveniente do Tibete, deságua entre Nanquim e Xangai

CLIMA E PAISAGEM BOTÂNICA

Os fatores que determinam o clima chinês são:
OS FATORES CLIMÁTICOS
CONTINENTALIDADE
VENTOS MONÇÔNICOS
VARIAÇÃO LATITUDINAL DAS ALTITUDES

Na região do Tibete, as montanhas de grande altitude barram grandes massas de ar frio, o que implica uma baixa pluviosidade e a presença de uma vegetação típica das estepes. Em Sinkiang, a continentalidade e a barreira formada por relevos elevados determina climas desértico e semi-desértico. Quando do verão, o degelo das montanhas forma rios temporários (ueds) e oásis, habitados por tribos nômades. Em toda a área da Mongólia interior, o clima predominante é o desértico frio. Na realidade, 40% do território chinês são marcados pela aridez ou, no melhor dos casos, pela semi-aridez.
No nordeste, as planícies existentes são vitimadas por ventos glaciais oriundos da Sibéria, apresentando clima temperado do tipo continental, caracterizado por grandes amplitudes térmicas ao longo do ano, enormes diferenças de temperatura entre o verão e o inverno e chuvas irregulares. O cenário botânico é composto, fundalmentamente, por florestas de coníferas e estepes geladas.
Em todo o país, o clima sofre uma grande influência das massas de ar. Durante o inverno, os ventos polares, provenientes da Sibéria, e a massa continental fria e seca determinam as condições climáticas. Já no verão, diminui a massa polar e a massa continental se desloca para a extremidade norte, fazendo com que o território chinês seja alvo de uma quente e úmida massa oceânica, que se apresenta sob a forma de ventos monçônicos. Em resumo, o sudeste e o sul conhecem altas temperaturas ao longo do ano inteiro, inexistindo períodos efetivamente secos, pois as chuvas aumentam na época das monções, chegando a atingir mais de 2.500mm anuais. Aí, o panorama botânico mostra uma bela paisagem de florestas tropicais.
O cultivo do arroz é possibilitado pelas cheias de verão que inundam os deltas fluviais, onde se concentra a grande maioria da população chinesa.
Climas variados determinam paisagens vegetais diversificadas, como se pode observar

O NORDESTE SECO

“Ao norte do Taka Makan (Sink-Yang) fica o lugar mais fundo (-155 metros) e mais quente da China, a depressão de Turfan. Aí, a temperatura já chegou a 75º C , mas Turfan, um local de parada na velha Rota da Seda, que rodeia as montanhas Tian, ao norte, é também um oásis. O calor é repelido pela sombra das parreiras irrigadas por canais subterrâneos que drenam cursos d’água das montanhas. Os canais, alguns
deles centenários, permeiam o deserto como uma colméia e são alimentados através de poços de acesso que salpicam as areias.
Embora os canais mantenham as vinhas úmidas, elas são fustigadas pelo frio abaixo de zero no inverno e pela areia que o vento sopra durante os três meses da primavera. O vento, chamado de “furacão negro”, costuma “sepultar” as pessoas em suas casas por vários dias. Os recentes programas de reflorestamento criaram cordões de proteção em torno do oásis e reduziram aquele perigo, além de introduzirem árvores numa paisagem que já foi tão desprovida delas, como a vizinha Mongólia – onde, dizem, “é preciso andar 100 quilômetros para se enforcar”. O reflorestamento também transformou o cultivo de uvas numa pequena indústria. Hoje, o oásis produz passas e vinte diferentes vinhos.
Outros oásis de Sin Kiang são também altamente produtivos. No mercado da vila de Hami, dois visitantes recentes viram “pães de crosta dourada” e “boxes repletos de cenouras, berinjelas e várias qualidades de feijão, inclusive uma com vagem de mais de 30 centímetros e grãos arredondados”. Havia abóboras em profusão, cebolas, suculentos pimentões verdes, aipo, alface e pepinos, além do perfumado melão Hami, cada um “rotulado pelo produtor com a marca em relevo.”

UMA CIVILIZAÇÃO MILENAR

A China (termo que significa o “Império do Meio” ou o “Centro do Mundo”), uma das mais antigas civilizações do planeta, conheceu, ao longo de sua história, um duplo e antagônico processo: por vezes, o país inteiro se agrupava ao redor de um governo central; em outros momentos, conflitos internos provocavam uma quase total desintegração. Alguns sinólogos (denominação dada aos peritos em assuntos
chineses) dão a esse processo o nome de “a teoria do nó”, pois, em certos períodos, a nação chinesa estava atada por uma administração centralizadora, períodos esses seguidos por um caótico desatar e a emergência de poderes regionais nas mãos dos “warlords”, “senhores da guerra”, que possuíam exércitos particulares, exercendo o mando político em moldes feudais.
O Estado chinês se consolidou há aproximadamente 2.200 anos, sob o Imperador Qin Shihuan, que, na ocasião, implantou o sistema único de escrita baseado em ideogramas, até hoje prevalecente no país. O significado dessa inovação foi a unificação da grafia numa nação na qual eram falados centenas de idiomas. Agora, embora mantendo suas próprias línguas, os chineses podiam ler os mesmos textos. No quadro abaixo, resumiremos as primeiras fases da história chinesa:

OS PRINCIPAIS MOMENTOS DA VELHA CHINA

DINASTIA TANG (618 – 907) - restabelecimento da unidade chinesa após um longo período de fragmentação política; a unidade refeita permitiu a criação de uma Civilização sofisticada e refinada DINASTIA SONG (960 – 1279) - grande Desenvolvimento artístico e tecnológico, superior a qualquer outra sociedade da época

UM FEITO TÉCNICO - a partir do século 3 a.C., os chineses, visando impedir invasões militares provenientes do norte, levaram a efeito a construção da Grande Muralha, com 5.000km de extensão. Em 1276, os mongóis, encabeçados por Gengis Khan, superaram essa barreira defensiva e tomaram a China que foi por eles governada até 1368
UMA REVOLUÇÃO CULTURAL - marcou profundamente a cultura chinesa a figura de Confúcio (Kung Fu-Tze), filósofo cujos princípios básicos eram: a responsabilidade social de todos os indivíduos; o papel fundamental da família na comunidade; a honestidade no trato dos assuntos de Estado; o respeito aos mais velhos e a importância da lealdade. Na mesma época, o pensador Lao-Tse escreveu a obra fundamental do “taoísmo”, cujo titulo é “Tao Te Ching” (“O Caminho da Virtude”), que valoriza a
naturalidade, a simplicidade e a espontaneidade SÉCULO XIII - contatos com o Ocidente, iniciados com a chegada à China do mercador veneziano Marco Polo
SÉCULO XVI - navegadores portugueses fundam, em território chinês, o enclave de Macau
DINASTIA QUING (1644 – 1911) - provenientes da Manchúria, os Imperadores Quings submeteram os diversos povos locais e moldaram, em termos básicos, o território da China moderna. Além disso, no século XVIII, a dinastia Manchu, além de propiciar um grande desenvolvimento econômico e cultural, expandiu o império, transformando a Coréia, a Indochina, o Sião (hoje, Tailândia), o Nepal e a Birmânia
(atualmente, Mianmá) em estados vassalos CONFLITOS - a expansão chinesa, além de exigir enormes recursos financeiros, entrou em choque com interesses geopolíticos de outras potências: na região sudeste, o governo de Beijing esbarrava com a França que então controlava a Cochinchina (depois, Indochina Francesa); ao sul, a presença chinesa
incomodava a Inglaterra, que, na ocasião, dominava a Índia; e, ao norte, eram freqüentes os conflitos com o Império Russo

PROBLEMAS ECONÔMICOS - a vida comercial chinesa era vítima de um excessivo controle estatal, que dificultava o crescimento econômico. As principais rotas mercantis eram: ao sul, Cantão, “porta de entrada” dos produtos da Europa Ocidental; na região setentrional, o comércio com a Rússia passava por Kiakhta. Os principais produtos chineses então exportados eram: seda, porcelanas, soja, chá, laca e ópio.
PROBLEMAS ADMINISTRATIVOS - ineficiência burocrática e corrupção na Corte, no Exército e nos quadros administrativos. Progressivamente, proliferaram rebeliões regionais, em sua maioria provocadas por grupos étnicos minoritários
Já no início do século XIX, o Estado imperial chinês, em função de seus problemas internos, experimentava enormes déficits na balança comercial. Além de um grave surto inflacionário, que provocou a queda do preço da prata – então usada como moeda, a China tornou-se praticamente dependente de um só produto de exportação: o ópio. Era cada vez mais evidente, para os analistas da realidade chinesa, que a Dinastia Quing estava em franca decadência, expressa pela crescente perda de territórios. Nesse contexto, a China foi obrigada a enfrentar um poderoso inimigo: a Grã-Bretanha.

A PRIMEIRA GUERRA DO ÓPIO (1839 –1842)

CAUSAS DO CONFLITO - em 1820, os ingleses haviam obtido a exclusividade das operações comerciais no porto de Cantão. Importador de seda, chá e porcelana, então em moda no continente europeu, a Inglaterra conhecia um grande décifit comercial em relação à China. Para compensar suas perdas, a Grã-Bretanha vendia ópio indiano para o Império do Meio (China). O governo de Beijing resolveu proibir a transação da droga. Isso levou Londres a declarar guerra à China 1839 – 1942 - a marinha e o exército britânicos, dotados de armamento moderno, venceram com facilidade as tropas chinesas
CONSEQÜÊNCIAS DA VITÓRIA - a China foi obrigada a entregar 5 portos livres para o comércio britânico, além de conceder o território da ilha de Hong Kong
Em 1853, o trono chinês foi abalado pela rebelião de Taiping, quando rebeldes controlaram, durante 11 anos, grande parte do território meridional do país, sendo esmagados com o apoio de tropas ocidentais.
Apesar de todos os percalços, a China continuava a comprar grandes quantidades de ópio, que se tornaram um vício nacional, remetendo prata para o ocidente, o que empobrecia ainda mais a nação. Em 1856, eclodia a Segunda Guerra do Ópio.

A SEGUNDA GUERRA DO ÓPIO (1856 – 1860)

CAUSA BÁSICA - interesse ocidental em submeter definitivamente a China ao domínio imperialista O CONFLITO - tropas anglo-francesas tomam Beijing (Pequim)
CONSEQÜÊNCIAS - o governo chinês foi obrigado a assinar um acordo pelo qual mais sete portos eram abertos ao comércio internacional. Além disso, era concedida permissão para implantação de missões religiosas cristãs no território chinês
A decadência da dinastia Manchu teve continuidade com perdas territoriais para o Império Russo, então em momentâneo expansionismo:

PERDAS CHINESAS PARA OS RUSSOS

1858 - os russos controlam as margens setentrionais do rio Amour
1864 a 1871 - perda de toda extensão noroeste do Sin-Kiang
1897 - perda da Manchúria
1912 - a região setentrional de Tannoutouva torna-se protetorado russo
1912 - a Mongólia se separa da China, tornando-se socialista em 1921, sob tutela soviética
No final do século XIX, o Japão elabora um plano de expansão imperial, buscando controlar parte do Pacífico e o sudeste asiático, regiões que compreenderiam, na terminologia nipônica, a “Esfera da Co-Prosperidade Asiática”. Em 1894, após humilhante derrota militar, a China perde a Coréia e o Japão ocupa a Ilha de Taiwan (Formosa). Antes disso, ainda em 1885, a China cede a Indochina à França. Em 1896, a Birmânia passa ao controle britânico.
Esse agudo processo de decadência provoca uma frustrada tentativa de reação: em 1900, um grupo nacionalista chinês, os Boxers, tenta expulsar as nações imperialistas, cercando, por 55 dias, o bairro ocidental de Beijing acabaram sendo trucidados por tropas ocidentais e japonesas.
Os malogros externos, os conflitos internos, os constantes surtos de fome e a corrupção e ineficiência administrativas levaram a Dinastia Quing à decadência final. Em 1911, o Partido Nacionalista (Kuo-Min-Tang, Partido do Povo) derruba o Trono e, liderado pelo doutor Sun Yat-sen, proclama a República.
O Kuo-Min-Tang era uma agremiação partidária formada por jovens intelectuais antiimperialistas, mas de formação cultural ocidental: seus objetivos eram expulsar o ocidente da China, mas, simultaneamente, modernizá-la segundo padrões europeus. Essas propostas democráticas desagradavam às velhas lideranças militares chinesas, os “senhores da guerra” (“warlords”), e, em conseqüência, a China foi vitimada por uma guerra civil, na qual as diversas áreas do país foram disputadas por chefes militares regionais, sempre apoiados por potências estrangeiras, interessadas em abafar os ímpetos nacionalistas dos partidários de Sun Yat-sen.
Em 1921, em Xangai, era fundado o Partido Comunista da China, que, num primeiro momento, aliou-se ao Kuo-Min-Tang, ajudando-os a enfrentar os chefes militares locais. Em 1927, o Partido Nacionalista, vitorioso na guerra civil, massacrou mais de 40 mil lideranças comunistas. Como represália, o líder vermelho Mao Zedong (Mao Tse-tung), que propunha uma revolução campesina para socializar a China, deu início a uma Revolução nascida no campo. O líder do Kuo-Min-Tang, o generalíssimo Chiang
Kai-shek, deu violento combate aos comunistas, forçando-os a uma longa e dolorosa retirada para as áreas montanhosas do norte, episodio conhecido como “A Longa Marcha” (1934).
Em 1937, o Japão atacou a China, obrigando o governo a firmar um acordo com os comunistas, formando uma “frente ampla” contra os nipônicos. Esse acordo nem sempre foi cumprido, sendo intermitentemente violado: um absoluto caos tomou conta da China. Por vezes, comunistas e nacionalistas combatiam o Japão; de quando em vez, lutavam entre si.

A INVASÃO NIPÔNICA

Entre os anos de 1937 e 1941, o avanço japonês na China foi fulminante. Em Xangai, as tropas do Império do Sol Nascente (Japão) cometeram inenarráveis atrocidades, inclusive atacando a Zona Internacional da Cruz Vermelha, que abrigava as comunidades estrangeiras da cidade. A própria capital, Beijing, caiu sob ocupação nipônica. O governo nacionalista, encabeçado por Chiang Kai-shek, estava à beira do total colapso, apesar do apoio de pilotos americanos que se apresentaram como voluntários das famosas esquadrilhas dos “Tigres Voadores”. Em dezembro de 1941, o Japão atacava a base aeronaval norte-americana em Pearl Harbor: os EUA entravam na Segunda Guerra Mundial. Rapidamente, bilhões de dólares vieram reforçar os exauridos cofres do governo chinês, agora apoiado por boa parte da população nacional em função das atrocidades japonesas. Através da famosa estrada denominada a “Rota da Birmânia” e por meio de uma “ponte aérea”, os EUA abasteciam e alimentavam o esforço de guerra chinês. Em 1945, com a derrota do Japão, o governo nacionalista ganhou, pelo menos aparentemente, um novo impulso, graças aos seguintes fatos:

O APARENTE FORTALECIMENTO DO KUO-MIN-TANG

Retomada dos territórios tomados pelo Japão, inclusive Beijing
Reconhecimento internacional como nação vencedora da Segunda Guerra Mundial
Membro fundador da Organização das Nações Unidas, ocupando cargo permanente no Conselho de Segurança daquela entidade Participação em todas as conferências internacionais do pós-guerra
Contudo, Chiang Kai-shek tinha de fazer face a um grande problema: os comunistas.

A REVOLUÇÃO VERMELHA

A TOMADA DO PODER

Findo o conflito mundial, reinicia-se a guerra civil entre o Exército Regular e o governo nacionalista e as milícias guerrilheiras comunistas de Mao Zedong. Já em 1946, o Partido Comunista Chinês controlava a maior parte do nordeste do território chinês e levava a efeito intensa guerra de guerrilha na extremidade meridional do país. A corrupção generalizada dos militares, os erros táticos – fundamentalmente a
concentração de forças nas áreas urbanas, deixando os campos em mãos comunistas, a grande extensão do país, o apoio campesino aos vermelhos e a brutal inflação, que então assolava a China, facilitaram a vitória comunista. No dia 1º de outubro de 1959, Mao Zedong entrava em Beijing, fundando a República Popular da China. Para fugir à total derrota, o governo nacionalista instalou-se em Taiwan (Formosa), recriando a
República da China, com capital em Taipé. “No segundo semestre de 1947, começa a contra-ofensiva estratégica do Exército Popular de Libertação (EPL). Na Manchúria, as tropas comandadas por Lin Biao lançam-se ao ataque, secundadas pelas forças de
Liu Bo-Cheng e Chen Yi, que atravessam o rio Amarelo e ameaçam as províncias centrais da China. Em junho de 1948, os comunistas reúnem 3 milhões de soldados regulares e as “áreas libertadas” abrangem 168 milhões de habitantes. Numa primeira fase, os comunistas concentram-se em “aniquilar” as forças armadas inimigas, colocando num plano secundário a ocupação de territórios ou cidades. Mais tarde, a
partir do segundo semestre de 1948 e, gradualmente, começarão a atacar cidades médias e grandes, passando para a guerra de posições. Em fins de 1948 e começo de 1949, realizam-se três grandes e decisivas batalhas: a da Manchúria, de setembro a novembro de 1948; a do rio Huai, entre novembro de 1948 e janeiro de 1949; e a do norte da China, entre dezembro de 1948 e janeiro de 1949. As forças do Exército Popular de Libertação saem vitoriosas, ocupando as cidades da Manchúria e importantes centros urbanos e industriais no norte e no centro da China. Em janeiro de 1949, cairão Kalgan, Tientsin e Pequim.
A sorte da guerra estava decidida – em abril os comunistas atravessam o Yangzi e ocupam Nanquim; em maio será a vez de Shangai; em outubro, finalmente, Cantão passa às mãos dos comunistas. Desde o início de 1949, Chiang Kai-shek partira para Taiwan, onde instalaria o “seu” governo.
Os comunistas tentam adequar-se ao ritmo vertiginoso das vitórias militares. A principal preocupação é alargar ao máximo a frente social e política contra o Kuomintang. Os revolucionários criticam os “excessos” verificados na aplicação da Lei de Reforma Agrária (perseguição aos médios camponeses, arbitrariedades em geral etc.) e restringem seus efeitos às “velhas” áreas libertadas, ou seja, àquelas que já existiam como tal durante a guerra antijaponesa. Em relação às áreas libertadas depois de agosto de 1947 (chamadas de “novas”), a política agrária será bem mais flexível (limitações do direito de cobrança de arrendamentos, diminuição das taxas de juros e impostos progressivos, segundo a riqueza de cada um).
Também em relação às cidades, a política será bastante moderada: apelos à concórdia, conclamações aos quadros de funcionários e intelectuais para não abandonarem os empregos, garantias aos proprietários em geral – comerciantes e industriais – contra expropriações “arbitrárias”, apelos específicos à “nova” classe média urbana e à burguesia “nacional” (não comprometida com os traidores da pátria) para permanecerem em seus afazeres habituais.
Em novembro de 1948, os comunistas relançam a idéia da Conferência Política Consultiva, reunindo os pequenos partidos de “centro”, inclusive um “Comitê Revolucionário do Kuomintang”, formado em Hong Kong em oposição ao caráter antidemocrático e antinacional do governo de Chiang Kai-Shek. Em junho de 1949, instala-se um comitê preparatório da Conferência, em Pequim. A 21 de setembro de 1949, abre-se formalmente a Conferência com um amplo leque de forças políticas: 142 delegados representam os diversos partidos políticos (16 são enviados pelo PCC); 102 delegados representam as áreas libertadas; 60 falam em nome do Exército Popular de Libertação; 206 vêm pelas organizações populares (mulheres, jovens, sindicatos etc.), registrando-se ainda a presença de 75 personalidades independentes. A Conferência aprova um Programa Comum e elege um governo presidido por Mao Zedong. No dia 1º de outubro de 1949, proclama-se a República Popular da China (RPC). Mao Zedone exclama: “Nunca mais os chineses serão um povo escravo!”.” Reis Filho, Daniel Aarão. A revolução chinesa. Brasiliense, 1981, págs 94 a 96.

AS ETAPAS DO COMUNISMO CHINÊS

A República Popular da China, buscando implantar o socialismo, passou pelas seguintes fases:
PLANEJAMENTO ECONÔMICO CENTRALIZADO (1949 – 1954) - adotando o modelo soviético de “Planos Qüinqüenais”, o governo de Beijing, de início, deu prioridade aos investimentos na indústria pesada, preterindo os bens de consumo e a indústria leve. Além disso, foi levada adiante a reforma agrária, implantando-se a propriedade coletiva do campo. Essa ênfase na industrialização drenou recursos
da produção rural, empobrecendo os camponeses sem conseguir um crescimento urbano-industrial significativo “A POLÍTICA DAS CEM FLORES” - em meados dos anos 50, em razão do fracasso da industrialização, o Partido Comunista Chinês lançou a seguinte palavra de ordem: “que brotem cem flores de pensamento” para definir os rumos do socialismo. Noutros termos, os quadros do Partido deveriam discutir as diversas propostas para a construção da sociedade comunista. Entretanto, quando muitos membros do PCC começaram a questionar a ausência de democracia e apontar os erros do governo, foi lançada uma “campanha antidireitista” para eliminar a oposição
“O GRANDE SALTO PARA FRENTE”(1958) - O PCC formulou um projeto de aceleração da industrialização num país de base camponesa. A idéia era transformar a China numa nação desenvolvida e igualitária num curto período de tempo. Os camponeses foram obrigados a se agrupar em gigantescas comunas agrícolas, sendo instalados pequenos fornos siderúrgicos em todas as regiões do país. Esses, como matéria-prima, usavam todos os utensílios de metal que as famílias possuíam, tais como panelas, talheres e objetos de adorno. A grande conseqüência do “grande salto para frente” foi uma total desorganização da economia chinesa, o que causou a morte, pela fome, de milhares de camponeses
UM PROBLEMA PARA MAO ZEDONG - em 1962, o líder comunista faz uma autocrítica de seus erros na direção da economia, sendo substituído por Liu Shao-chi e Deng Xiaoping na condução dos assuntos internos. Entretanto, Mao mantinha o controle do Exército Popular de Libertação e era o responsável pela política externa
ANOS 60 - a China rompe com a União Soviética. Os motivos dessa cisão foram: conflitos fronteiriços entre os dois países e, fundalmentamente, as críticas feitas pelo governo chinês ao XXº Congresso do Partido Comunista da União Soviética (1956), quando Nikita Krutschev, em seu famoso “Relatório Secreto”, denunciava os crimes cometidos por Stálin. A China alega que a União Soviética renegara o socialismo, incorrendo no “social-revisionismo”. Outro motivo da irritação chinesa foi o fato de que os soviéticos não repassaram os segredos da tecnologia nuclear para o governo de Beijing
“A REVOLUÇÃO CULTURAL” (1966 – 1975) - buscando retomar plenos poderes, Mao Zedong acusa os quadros partidários de “direitismo”, “elitismo burguês” e “vícios burocráticos”. Tornava-se, portanto, necessário uma campanha de implantação de “valores culturais socialistas”. Baseados no então bastante difundido “Livro Vermelho” do Camarada Mao, composto de alguns slogans simplistas de caráter didático, milhões de estudantes, os “Guardas Vermelhos”, saíram às ruas para combater os “desvios burgueses” da sociedade e do Partido. Fábricas e universidades foram fechadas, pois, na opinião em voga, era preciso combater a “ideologia fascista da hierarquia do saber”; nas escolas que permaneceram, foram abolidas provas e exames, “típicos exemplos da competitividade burguesa”; professores foram espancados e intelectuais tiveram de se deslocar para o campo, onde trabalhariam e seriam submetidos à crítica por parte das massas; combateu-se a medicina mais sofisticada, substituída pelos “médicos de pés no chão”, jovens que recebiam um rápido treinamento para ajudar na cura de endemias e outras doenças que afetavam a imensa maioria da população: doenças cardiovasculares são “enfermidades burguesas”; a malária, o impaludismo, a febre amarela são males das camadas populares, era então o slogan em moda na China. Durante o período da “Revolução Cultural” foi terminantemente proibida a entrada dos valores e idéias ocidentais: livros que expunham o pensamento do ocidente foram queimados; a China se fechou para o mundo; seus atores, que viviam personagens individuais, foram colocados no ostracismo: só as massas podem estar representadas nos filmes e nos palcos A TEORIA DO “CAMPO CONTRA A CIDADE” - coerente com os preceitos da Revolução Cultural e rompida com a União Soviética, a China, no plano da política externa, busca se tornar uma nova “Meca” do comunismo internacional, liderando os países pobres do hemisfério sul contra as nações ricas do norte: uma versão mundial da revolução campesina que tomava poder na China. Em quase todos os países do mundo, os Partidos Comunistas, até então monoliticamente fiéis a Moscou, foram vitimados por cisões internas: proliferaram “alas chinesas” nas agremiações partidárias comunistas. Na Península Balcânica, a Albânia aderia ao “modelo chinês”. Seguindo essa orientação, no Brasil seria fundado o Partido Comunista do Brasil (PC do B), rompendo com o pró-soviético Partido Comunista Brasileiro (PCB)
UMA VITÓRIA - em 1971 o governo comunista substituiu Taiwan como representante da China na Organização das Nações Unidas (ONU)
UMA CURIOSA APROXIMAÇÃO - nos anos 70, os EUA, buscando isolar a União Soviética, estabeleceu contatos com o governo de Beijing e, em 1976, os EUA e a República Popular da China anunciaram a retomada de relações diplomáticas.
A MORTE FAZ DIFERENÇA - em 1975, morria Mao Zedong: eclodia um conflito interno no PCC; de um lado, os radicais (então chefiados pelo “Grupo dos Quatro” de Xangai, destacando-se a viúva de Mao, Jiang Qing); de outro, os “pragmáticos”, que privilegiavam a eficiência econômica e administrativa em detrimento da “pureza ideológica”
“NÃO IMPORTA SE O GATO É CINZA OU PRETO, IMPORTA QUE ELE CACE O RATO” - baseado nesse slogan, a linha pragmática, liderado por Deng Xiaoping, toma o poder, implantando o curioso “socialismo de mercado”, buscando conciliar o dirigismo político comunista com a abertura e liberalização econômicas
A CHINA, HOJE - o país, nesses últimos anos, vem experimentando uma série de profundas reformas:
maior liberdade de expressão e crítica; dissolução das comunas populares agrícolas, sendo as terras, ainda sob posse estatal, distribuídas entre as famílias; permissão de produção para o mercado; criação das Zonas Econômicas Especiais (nas proximidades de Hong Kong e Macau), abertas aos investimentos estrangeiros; maior autonomia aos gerentes das fábricas; progressiva retirada dos subsídios estatais aos preços dos bens de consumo, agora regulados pelo mercado e fechamento das empresas deficitárias, o
que vem aumentando, de forma alarmante, o desemprego no país

A DEMOCRATIZAÇÃO TEM LIMITES: O MASSACRE DA “PRAÇA CELESTIAL” (1989)
A abertura econômica e a relativa liberalização do regime estimularam a juventude, principalmente a estudantil, a pedir uma plena democratização. Em abril de 1989, milhares de estudantes se reuniram na praça Tiananmen (“Praça da Paz Celestial”), no centro de Beijing. Este agrupamento de jovens estimulou centenas de grupos dissidentes a contestar publicamente o monopólio do poder exercido pelo Partido Comunista. O regime socialista parecia estar vivendo seus estertores finais. Em 4 de junho, após uma longa hesitação e acalorados debates entre as lideranças reformistas e conservadoras, o governo reagiu com violência: tropas e tanques expulsaram os oposicionistas, esmagando milhares de pessoas que então ocupavam a praça agora ironicamente denominada “Paz Celestial”. A ação governamental deixava clara a orientação do PCC: reformas econômicas devem ser feitas, mas o controle político do país tem de permanecer sob absoluto controle do Partido.

DOIS ÊXITOS EXTERNOS

O projeto geopolítico da China tem como base a reintegração dos territórios que, por longo tempo, permaneceram em mãos estrangeiras. Em 1997, a República Popular da China recuperou Hong Kong, firmando o princípio de “uma nação e dois regimes”. Dois anos depois, a possessão portuguesa de Macau foi retomada pelo governo de Beijing.

HONG KONG

“A pequena colônia britânica de Hong Kong, situada na costa sul da China, é considerada o terceiro centro financeiro do mundo, depois de Nova Iorque e Londres, e ocupa o décimo-sétimo lugar no comércio internacional.
O Território era parte do antigo e bem organizado sistema administrativo chinês. A ilha de Hong Kong foi cedida ao Reino Unido em caráter “perpétuo” em 1842, quando os ingleses atacaram a China na Primeira Guerra do ópio. Em 1898, os britânicos obrigaram Pequim (atual Beijing) a ceder, por um arrendamento de 99 anos, a zona rural situada ao norte de Kowloon, conhecida com Novos Territórios.
Hong Kong foi utilizada como centro comercial, sendo um ponto de entrada para a China. Na década de 50, após a vitória comunista, os Estados Unidos e o Reino Unido impuseram um bloqueio comercial à China. Hong Kong teve que importar todo seu consumo básico do ultramar e fomentar as exportações.
Após isso, tornou-se um grande exportador de têxteis, peças de vestuário, produtos de plástico e eletrônicos. Da mesma forma que em Taiwan e na Coréia do Sul, esse desenvolvimento foi generosamente apoiado pelas potências ocidentais, interessadas em promover esses “bastiões” da Guerra Fria.
O crescimento do comércio e da indústria de exportação transformou Hong Kong em um centro financeiro, de comunicações e de transporte. Para isso, também contribuiu a política de governo, estabelecendo baixos impostos, tarifas aduaneiras mínimas, confiabilidade e liberdade para os movimentos do capital.
No final dos anos 70, Hong Kong tinha um dos melhores portos naturais do mundo, sofisticados sistemas internacionais de investimentos e comércio e grandes e modernos terminais de carga. Estima-se que entre 30 e 50% do comércio exterior da China seja realizado através de Hong Kong. (...)
O governador de Hong Kong, indicado pelo governo britânico, tinha poderes absolutos na administração cotidiana do território. Ele era assistido por um Conselho Executivo e um Legislativo, cuja maioria de membros representava grupos empresariais, financeiros e profissionais.
No começo da década de 80, Londres e Pequim iniciaram conversações sobre o futuro de Hong Kong, pois o arrendamento por 99 anos da maior parte do território terminava em 1977.
Antes de começar as negociações com a China, Londres aprovou leis de imigração especiais que rebaixavam o status dos 3,25 milhões de residentes nascidos em Hong Kong, que possuíam passaporte e cidadania britânicos. As mudanças aprovadas retiravam dessas pessoas todos os direitos de fixarem residência no Reino Unido e de transmitirem e nacionalidade a seus descendentes. Criou-se o passaporte de cidadão de Território Britânico Dependente, que não confere cidadania real em nenhuma nação. O afã de obter passaportes estrangeiros (com freqüência caribenhos e latino-americanos), muitas vezes através de compra ou suborno, fez surgir um verdadeiro tráfico ilegal e escândalos internacionais.
As negociações sino-britânicas resultaram em um acordo em que ficou acertado que a China recuperaria a soberania sobre a totalidade do território em 1997, porém este contaria com um “alto grau de autonomia” como Região Administrativa Especial da China. Hong Kong, manteria seu atual “sistema social e econômico” por pelo menos 50 anos a partir de 1997; disporia de poderes executivo, legislativo e judiciário, emitiria sua própria moeda e continuaria a ser um território regido por leis próprias em relação à imigração e a controles aduaneiros. Pequim, por seu lado, reservou-se o controle da defesa e das relações exteriores.
A China anunciou que o acordo continha um novo e importante conceito – “um país, dois sistemas” – também aplicado na colônia portuguesa de Macau, e insinuou, mais de uma vez, que podia ser o princípio de reincorporação de Taiwan. Ficou acertado que uma Lei Básica, com detalhes sobre o funcionamento do território após 1977, funcionaria como uma Constituição. (...)
No dia 1º de julho de 1997, a zero hora, a China recuperou o controle de Hong Kong, depois de 155 anos de domínio colonial britânico. O empresário Tung Chi Hua foi designado para liderar o novo governo da ilha, assistido por um Conselho Legislativo.
De acordo com a nova lei, Hong Kong conservará por 50 anos seus direitos e liberdades, sua autonomia judicial, sua natureza de centro financeiro, bem como seu modo de vida. A China reservou para si o controle da defesa e das relações exteriores.
A reunificação iniciou a etapa “um país, dois sistemas”, pela combinação da economia de livre mercado de Hong Kong com o rígido controle político do resto a China.”
Enciclopédia do Mundo Contemporâneo pág. 199 – Publifolha – Editora Terceiro Milênio

MACAU

“O pequeno enclave português de Macau está situado no estuário do rio Pérola, em frente a Hong Kong.
Em 1557, os portugueses o estabeleceram como um elo importante na cadeia de portos comerciais que se estendia da Europa por toda a costa da África e da Índia, até Melaka e Nagasaki no Japão. Portugal pagou o arrendamento até o ano de 1849, quando o declarou território independente. A China aceitou esse fato em 1887, quando Portugal se comprometeu a não “alienar jamais Macau e suas dependências sem o consentimento da China”; em 1951 foi declarado província portuguesa de ultramar.
Durante centenas de anos, Macau representou o ponto de contato principal para as relações comerciais entre a Europa e o vasto império chinês. Com o aparecimento da vizinha colônia britânica de Hong Kong e de Portugal como polêmica colonial, Macau perdeu importância.Em 1974, logo depois da queda do regime de Antônio de Oliveira Salazar, o governo português voltou a oferecer à China a devolução da colônia. Preocupada em não alarmar Hong Kong ou Taiwan, a China tampouco aceitou. Então, o governo português declarou unilateralmente que Macau era “território chinês,
administrado por Portugal.”
Em 1985, como as negociações sino-britânicas sobre o futuro de Hong Kong estavam encaminhadas, a China chegou a um acordo com Portugal, segundo o qual Macau seria devolvido em 1999, em condições similares as de Hong Kong, em relação à manutenção de certa autonomia.
Para Portugal, Macau era um enclave de pouca utilidade, isolado do governo central a milhares de quilômetros de distância, com uma administração apática.(...)
Em 1988, o governo começou a permitir a entrada de trabalhadores chineses, o que foi considerado pelas organizações sindicais uma manobra para não aumentar os salários.
Macau possui poucos recursos naturais. A China fornecia parte da água consumida e, desde 1984, energia elétrica. No entanto, a partir de de 1989, mais de 90% da eletricidade consumida era produzida no país. A colônia dependia do turismo, de algum intercâmbio comercial com a China e da indústria leve (especialmente de brinquedos e têxteis). Quando a China começou a liberalização econômica e criou uma Zona Econômica Especial do outro lado da fronteira, iniciou-se a construção de um hotel e de um aeroporto.
Em 1991, o novo governador Vasco Rocha Vieira franqueou as funções públicas aos cidadãos chineses, e declarou o chinês, junto com o português, língua oficial. Nas eleições legislativas de setembro de 1992, as organizações pró-China obtiveram a maioria dos assentos.
Em 1993, foi aprovado o esboço final da Lei Básica, que serviria de Constituição para o território a partir de 1999, quando Macau se tornou uma região administrativa especial da China Popular, com governo designado por um colégio eleitoral local e um Conselho Legislativo com mandato até 2001.
Ao menos por esse período, o texto garante a continuidade da economia de mercado e de cassinos, proíbe a imposição de tarifas chinesas e não inclui a pena de morte nem as condenações à prisão perpétua, vigentes no resto da China.
Em 20 de dezembro de 1999, Macau tornou-se uma das Zonas Econômicas Especiais, criadas por Deng Xiaoping nas províncias de Cantão, Shenzhen, Zhuhai e Shatou, onde são permitidos alguns aspectos da economia de mercado.”
Enciclopédia do Mundo Contemporâneo pág. 203 – Publifolha – Editora Terceiro

OS ATUAIS OBJETIVOS GEOPOLÍTICOS DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA

O governo de Beijing tem evidentes e bem definidos interesses geopolíticos. Em primeiro lugar, a recuperação de Taiwan, denominada pelos comunistas de “província rebelde”. Em hipótese alguma, a República Popular da China aceitaria uma declaração formal de independência de Formosa, que se auto-intitula de República da China. Sem dúvida, qualquer atitude nesse sentido, por parte do governo de Taipé, provocaria uma violenta ação militar chinesa. Após a reintegração de Hong Kong e Macau, Beijing
vem propondo para Taiwan a mesma fórmula adotada naqueles dois territórios: “uma nação e dois sistemas”. Com a intenção de provocar agressivamente Taiwan, a China ocupou o arquipélago Dongsha (“Pratas”), situado nas proximidades de Formosa, além de ambicionar a ilha de Penghú (“Pescadores”), também desejada pelo governo de Taipé.
O segundo objetivo chinês é a expansão para o Mar da China Meridional, onde reivindica soberania sobre uma área de mais de 800 mil quilômetros quadrados. Essa região é também disputada pelo Vietnã e por Taiwan, desejosos, assim como a China, do total controle dela – e pela Malásia, Brunei e Filipinas, que ambicionam uma parte dela. Nessa região, os conflitos vêm ocorrendo no arquipélago Spratly, localizado
no mar territorial filipino, e também no arquipélago de Natuna, onde existem ricos campos de petróleo e gás natural, atualmente explorados pela Indonésia. O arquipélago de Spratly é formado por quase 500 ilhas e recifes coralíneos, abrangendo uma área de 700 quilômetros de comprimento e 300 de largura. 24 dessas ilhas foram ocupadas pela República Democrática do Vietnã; 7, pela China; 6, pelas Filipinas; 3, pela Malásia e 2 tomadas por Taiwan. Em 1995, as pendências na região foram agravadas pela ocupação
chinesa de uma ilha até então de domínio filipino, Mischief.

ALGUNS PROBLEMAS GEOPOLÍTICOS

A República Popular da China mantém um frio relacionamento com o governo indiano, em razão de disputas fronteiriças. Beijing reclama o território de Nefa, que compreende 84 mil quilômetros quadrados do nordeste indiano. Por seu turno, Nova Delhi aspira retomar a região de Ak Sai Chin, localizada na Caxemira e ocupada pela China na década de 60. Outro motivo de animosidade da Índia em relação à China é o fato dessa última apoiar o Paquistão em seu conflito com a Índia pela posse da região da Caxemira.
Sem dúvida, o mais grave problema geopolítico da República Popular da China é a questão do Tibete. Em 1911, logo após a revolução nacionalista que proclamou a República da China, Beijing declarou que o Tibete era parte integrante do território chinês. Somente em 1950, as intenções chinesas se materializaram, quando tropas do Exército Popular de Libertação ocuparam a área. Em 1959, nacionalistas tibetanos –
defendendo seus valores culturais e as práticas religiosas budistas tradicionais – promoveram um levante contra o governo comunista, sendo esmagados. O fracasso da insurreição fez com que o grande líder religioso do Tibete, o Dalai Lama, fugisse para a Índia onde reside até hoje. Buscando aparar arestas, o governo chinês vem buscando uma aproximação com o Dalai, “convivência pacífica” cada vez mais negada pelos partidários do grande chefe religioso, que hoje contam com explícito apoio de nações e personalidades ocidentais.
Outro problema para o governo de Beijing é o florescimento de movimentos separatistas na região de Sin-Kyang. Aí, somente 38% da população pertencem à etnia Han – amplamente majoritária na República Popular da China. Na região, predominam os Uigures, muçulmanos de origem turca. Em 1991, quando do colapso da União Soviética, duas ex-repúblicas socialistas de religião islâmica, localizadas na fronteira de
Sin-Kyang, ganharam independência: o Cazaquistão e a Quirquízia. Os uigures se entusiasmaram pois confiavam no apoio de seus “irmãos étnicos”. Para o dissabor daqueles, os dois países não quiseram entrar em conflito com a poderosa República Popular da China e se abstiveram de qualquer atitude em prol dos separatistas de Sin-Kyang. Além de não contarem com auxílio externo, os nacionalistas uigures, que
sonham em criar a República Oriental do Turquestão, perderam o apoio da maioria de sua própria população devido ao grande surto de prosperidade vivido pela região, o que vem anestesiando os anseios emancipacionistas locais.
Finalmente, na Mongólia Interior, também ocorre um movimento separatista da etnia mongol, embora essa última seja minoritária face aos hans. Por esse motivo, e também pela falta de suporte da República da Mongólia, os nacionalistas da Mongólia Interior limitam-se a pedir maior autonomia cultural e democratização da China.

A POPULAÇÃO CHINESA

Com 1 bilhão e 300 milhões de habitantes, a China é o país mais povoado do mundo. Sua população, contudo, é etnicamente homogênea: 91% são descendentes do grupo Han. O restante compreende mais de 50 etnias minoritárias, destacando-se tibetanos, manchus, mongóis e coreanos. Visando controlar essa explosão demográfica, o governo de Beijing tem levado a efeito, ao longo dos últimos anos, uma política de controle populacional, com relativo êxito.
A população chinesa está desigualmente distribuída pelo território, apresenta uma densidade demográfica média de 130 hab/km2 – a maior dentre os países de grande extensão geográfica - mas apresentando vazios demográficos enormes, notadamente nas regiões montanhosas de ocupação nômade, como, por exemplo, no Tibete e nas áreas desérticas da Mongólia Interior e de Sin-Kyang. No leste do país, as bacias fluviais – zonas propícias à agropecuária - a China conhece densidades demográficas acima de 2.000 hab/km2. Nas colinas da extremidade meridional do país e nas planícies orientais – um quinto do território chinês - habitam 80% da população. Tentando superar os problemas acarretados pela formação desses quistos demográficos, o governo comunista tem subsidiado as migrações para as áreas despovoadas de Sin-Kyang e da Mongólia Interior, onde se praticam a mineração e a agricultura irrigada. Graças à política de controle demográfico do governo de Beijing, o crescimento vegetativo chinês tem sido de 1% ao ano. Contudo, esse êxito é relativo pois, em função dos grandes contingentes populacionais, 1% significa um acréscimo anual de 13 milhões de pessoas. Essa é a razão pela qual, na população chinesa, há absoluta predominância de jovens (58% de pessoas abaixo de 25 anos), o que propicia uma fácil reciclagem da mão-de-obra ativa. Por outro lado, uma população de jovens implica a necessidade de constante criação de empregos e de altos investimentos sociais nas áreas da saúde e educação.

HISTÓRICO DA NATALIDADE NA CHINA
(número médio de filhos por mulher em idade fértil)
1950 - 6,2
1960 - 5,8
1970 - 4,8
1980 - 2,5
1990 - 2,2
2000 - 1,4
Em 1979, o governo chinês conseguiu acelerar a queda da taxa de natalidade graças a uma legislação que determinava que cada casal só poderia ter um filho. Essa medida, se teve um aspecto positivo, aumentou, de maneira significativa, o número de abortos de fetos do sexo feminino. Em conseqüência, a proporção de nascimentos masculinos (116 homens para cada 100 mulheres) tornou-se muito maior que a média mundial
(105 homens para cada 100 mulheres).
Em 1994, a China foi alvo de protestos mundiais quando adotou uma política de caráter eugênico (eugenia: purificação racial). De fato, na ocasião entrou em vigor a Lei dos Cuidados Médicos à Maternidade e Infância, pela qual pessoas portadoras de doenças contagiosas e mentais são estimuladas à adiar o matrimônio. Além disso, proibiu-se o exame para verificação do sexo dos fetos e mães grávidas de crianças portadora de doenças hereditárias são aconselhadas a abortar.
A China tem 70% de sua população vivendo nas áreas rurais e em pequenas aldeias. Sua urbanização, portanto, é pequena: somente 20 cidades possuem mais de 1 milhão de habitantes.

AS MAIORES CIDADES CHINESAS

XANGAI - 13 milhões de habitantes
BEIJING - 11 milhões de habitantes
TIANJIN - 6,5 milhões de habitantes
SHENYANG - 5,2 milhões de habitantes
WUHN - 4,5 milhões de habitantes
CANTÃO - 3,4 milhões de habitantes
NANQUIM - 2,3 milhões de habitantes

Hoje em dia, o governo chinês tem interesse de limitar as concentrações urbanas, por meio da edificação de pequenas e médias cidades e do controle do crescimento das grandes. Rigorosas restrições têm sido impostas aos deslocamentos humanos entre as áreas urbanas e tem sido praticada uma política de incentivo à transferência de populações citadinas para as áreas rurais, principalmente para as frentes de trabalho
pioneiras situadas no Tibete, Manchúria e Sin-Kyang.

A ECONOMIA CHINESA: A AGROPECUÁRIA

A economia chinesa – extremamente diversificada e com grandes contrastes de desenvolvimento regional e setorial – é fundalmentamente calcada na agropecuária, que ocupa 60% da população ativa e contribui com 25% do Produto Interno Bruto (PIB). Durante o apogeu do modelo “socialista”, a unidade produtora básica eram as “comunas populares”, enormes fazendas coletivas que abrigavam uma média de 20 mil famílias e
que, além de suas atividades econômicas agrárias, desempenhavam também funções industrial, política, administrativa, educacional, militar e social. Em 1979, quando da adoção do “socialismo de mercado”, as comunas populares têm sido desmanteladas e a ênfase, agora, é dada para o sistema de cooperativas, cujos produtos são destinados ao mercado.
Nos últimos anos, as técnicas agrícolas têm sido modernizadas. Nas regiões áridas, estão sendo levados a efeito enormes projetos de irrigação e recuperação dos solos pobres de material orgânico e, por conseqüência, não agricultáveis. Isso ocorre fundalmentamente na Mongólia e em Sin-Kyang, onde, atualmente, vem se difundindo o cultivo irrigado de trigo e algodão. Surpreendentemente, a China ocupa hoje o primeiro lugar mundial de terrenos irrigados, cerca de 55 milhões de hectares.

EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA (EM TONELADAS)
PRODUTOS
Seda (primeiro produtor mundial)
Trigo (primeiro produtor mundial)
Arroz (primeiro produtor mundial)
Tabaco (primeiro produto mundial)
Chá (segundo produtor mundial)
Algodão (segundo produtor mundial)
Milho (segundo produtor mundial)
Soja (terceiro produtor mundial)
Batata (terceiro produtor mundial)
Cana (terceiro produtor mundial)
Na Manchúria e na bacia fluvial Huang Ho, na extremidade setentrional das planícies orientais, as boas condições climáticas e a presença de solo fértil aluvial (“loess”) possibilitam o cultivo de beterraba, soja, trigo, algodão e sorgo. Nas áreas meridionais, graças ao clima mais quente, proliferam produtos tropicais, tais como a cana-de-açúcar, tabaco, frutas, chá, milho, arroz de inundação e amoreira (bicho-da-seda). O arroz é o produto que ocupa as maiores regiões do espaço agrícola chinês, sendo produzido em vales fluviais, que, ao longo do verão, apresentam altos índices de umidade.
A pecuária chinesa também vem progredindo, destacando-se os rebanhos de suínos (425 milhões de cabeças, o primeiro do mundo), ovinos (123 milhões de cabeças, o segundo do mundo) e o de bovinos (100 milhões de cabeças, o quarto do mundo). Além disso, grande é a produção de galináceos (a primeira do mundo), destacando-se, também, a criação de patos (65% da produção mundial).
Apesar do volume da produção agropecuária chinesa, por longo tempo, ainda não será suficiente para atender à demanda interna. De fato, há, no país, 1 bilhão e 300 milhões de bocas ávidas de alimentos.

A ECONOMIA CHINESA: A INDÚSTRIA

O desenvolvimento da indústria pesada é facilitado pela abundância de recursos minerais e energéticos existentes no solo chinês. As principais riquezas são:

RECURSOS MINERAIS
TUNGSTÊNIO - primeira produção mundial
ESTANHO - primeira produção mundial
CARVÃO - primeira produção mundial
MINÉRIO DE FERRO - segunda produção mundial, fundalmentamente extraído na Manchúria
ANTIMÔNIO - terceira produção mundial
PETRÓLEO - quarta produção mundial
FOSFATOS - quarta produção mundial
OURO - quinta produção mundial
MANGANÊS

MERCÚRIO

No nordeste do país e ao longo do curso do rio Huang Ho, o potencial hidrelétrico – bastante grande – ainda permanece parcialmente explorado, apesar das China deter a quinta maior produção de eletricidade do planeta.
Antes da revolução socialista, a exploração dos recursos naturais era realizada por empresas estrangeiras, já que o partido político então dominante – o Kuo-Min-Tang – estava a serviço dos interesses neocolonialistas. Na ocasião, as poucas indústrias existentes estavam concentradas junto às jazidas de carvão da Manchúria e nas áreas litorâneas de Tientsin e Xangai, locais de fácil acesso aos navios das potências imperialistas ocidentais. Com o advento do comunismo, o desenvolvimento industrial passou a apresentar novas características: socialização dos meios de produção, planificação centralizada e prioridade das indústrias de base. Contudo, a falta de capitais, a ausência de transportes e o atraso tecnológico da mão-de-obra atrapalharam o crescimento industrial do país.
Atualmente, os centros industriais chineses localizam-se nas planícies orientais, apesar dos esforços governamentais no sentido de incentivar a descentralização.

AS ÁREAS INDUSTRIAIS CHINESAS

INDÚSTRIA PESADA (SIDERURGIA, METALURGIA, EQUIPAMENTOS E PRODUTOS QUÍMICOS) - Manchúria, Beijing, Cantão, Nanquim, Xangai e Wuhan (essas três ultimas cidades situadas no vale do rio Yang Tsé-Kiang)
INDÚSTRIA LEVE - Xangai, Beijing, Tientsin e, mais recentemente, Tsingtao e Sian
INDÚSTRIAS ARTESANAIS E ALIMENTÍCIAS - distribuídas por todo país
Nos últimos anos, a partir das reformas iniciadas pelo líder “pragmático” Deng Xiaoping, a China vem se abrindo aos capitais internacionais, buscando modernizar e acelerar a industrialização. Como conseqüência, o país passou do vigésimo terceiro PIB mundial (1979) para o nono mundial, em meados da década de 90. Seu comércio, que hoje ocupa a décima posição do planeta, vem permitindo o acúmulo de reservas cambiais da ordem de 100 bilhões de dólares.
Com a liberalização econômica, foram criadas, nas áreas litorâneas, mais de 10 Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), onde floresce a economia de mercado com a participação de empresas e capitais internacionais. Ao longo dos anos 90, mais de 200 bilhões de dólares foram investidos nessas áreas, revolucionando o sistema produtivo industrial e modernizando o país. Atualmente, a China é considerada, pelos Estados Unidos da América, um país “comercialmente privilegiado”, o que amplia as cotas de importação de produtos chineses para os mercados norte-americanos. Entretanto, há um obstáculo a ser suplantado: esse status de país “economicamente favorecido” tem de ser anualmente renovado pelo Congresso dos Estados Unidos da América, que impõe, à China, uma série de condições para essa renovação. Além disso, o fato do governo de Beijing não aceitar as leis internacionais que regulam os direitos autorais e as patentes industriais tem impedido a sua aceitação como membro da Organização Mundial do Comércio (OMC). Os governos ocidentais acusam – com roda razão – a China de praticar “dumping social”, pois ela indiretamente subsidia seus produtos por meio da utilização de mão-de-obra extremamente barata, além da prática de exploração do trabalho escravo de prisioneiros.
Apesar de uma média de crescimento anual de 10%, a economia da República Popular da China apresenta sérios problemas:

OBSTÁCULOS AO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO CHINÊS

Má organização administrativa Carência de infra-estrutura (energia e vias de transporte)
Baixo índice de sofisticação tecnológica Carência de investimentos
Pequena produtividade
Altas taxas de desperdício
Subsídios estatais muito elevados

PRODUTOS AGRÍCOLAS - arroz, batata-doce, trigo, milho, soja, cana-de-açúcar, tabaco, algodão em pluma, batata, juta, legumes e verduras
PECUÁRIA - suínos, eqüinos, ovinos, bovinos, búfalos, camelos, caprinos e aves
MINERAÇÃO - carvão, petróleo, chumbo, minério de ferro, enxofre, zinco, bauxita, estanho, fosforito e asfalto natural
INDÚSTRIA - têxtil, materiais de construção e siderurgia
PRINCIPAIS PARCEIROS COMERCIAIS - Japão, Estados Unidos da América, Taiwan e Coréia do Norte
ESTRUTURA POLÍTICA - República Parlamentarista
CHEFE DE ESTADO - Presidente Jiang Zemin
CHEFE DE GOVERNO - Primeiro Ministro Zhu Rongji
PARTIDO ÚNICO - Partido Comunista Chinês
PODER LEGISLATIVO - unicameral: Congresso Nacional do Povo (2.979 membros eleitos por voto indireto para mandato de 5 anos)
ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO (IDH) - 98º lugar no ranking”mundial

É POSSÍVEL UM “SOCIALISMO DE MERCADO”?

Nas ultimas décadas, a China parece condenada a desmentir uma série de mitos político-ideológicos. Sua revolução socialista, contrariando os preceitos marxistas ortodoxos, não foi proletária, mas fruto de uma aliança entre intelectuais e camponeses. Nos anos 60, o maoísmo jogou o povo chinês no caótico abismo da Revolução Cultural, responsável pela desorganização econômica, absoluto fechamento ao mundo e surtos
violentos de fome, que, como sabemos hoje, chegaram a provocar atos de canibalismo. Com a morte de Mao Zedong, uma linha mais “pragmática” do Partido Comunista Chinês, liderada por Deng Xiaoping, passou a privilegiar a eficiência em detrimento de qualquer tipo de “pureza ideológica”. Nascia uma curiosa e, aparentemente paradoxal, experiência econômica: o “socialismo de mercado”, sem dúvida alguma, uma contradição em termos: a economia de mercado, por definição, nega o dirigismo estatal; o socialismo, segundo os cânones ortodoxos, sempre pregou a eliminação da irracionalidade” da economia de mercado.
Duas “mãos” em conflito: a “mão visível” do Estado versus a “mão invisível” da economia liberal.
A estratégia de Deng Xiaoping e seus companheiros consistiu na formação de uma economia progressivamente menos dirigida, porém sob absoluto controle político por parte do Estado. Ciente de que a transição de uma economia centralizada para uma mais aberta implica em pesado custo social, o PCC, temendo contestação e críticas, preserva o autoritarismo governamental, maneira de abafar eventuais contestações. Outro aspecto da nova orientação chinesa é aprimorar o sistema educacional, objetivando inserir a China na modernização tecnológica que hoje caracteriza o mundo desenvolvido.
O modelo chinês, enfrenta, no entanto, alguns obstáculos. Em primeiro lugar, o contraste entre uma estrutura econômica altamente produtiva e os constantes déficits estatais. Além disso, há áreas, principalmente no litoral, marcadas por uma rápida modernização, enquanto outras, nas regiões interioranas, ainda tradicionais e tecnologicamente arcaicas. Por fim, agrava-se o desequilíbrio econômico e cultural entre a população urbana, numericamente minoritária, e a enorme massa rural, ainda presa aos velhos hábitos e costumes.
Todas essas crescentes diferenças sociais e regionais ameaçam a própria unidade política do país.
Nação ainda pobre, cuja renda per capita é de aproximadamente 780 dólares, a China obteve êxito na difícil tarefa de prover casa, alimentação e assistência médica para quase toda população. Hoje, a transição econômica fez, contudo, renascer o “fantasma” do desemprego, fenômeno que, a médio e longo prazo, pode levar a violenta agitação social. Todos esses problemas geram no PCC um conflitante debate entre os “duros”, lideranças mais apegadas ao socialismo tradicional, e os “reformistas”, que defendem a idéia de que só a modernização poderá suplantar os obstáculos que se colocam no caminho da China para se tornar uma grande potência.
Muitos objetivos já foram alcançados: a China é o único país subdesenvolvido que tem conseguido controlar a inflação, crescer economicamente e, ao mesmo tempo, atrair os capitais internacionais. Nas suas Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), a presença de investimentos estrangeiros deu um novo dinamismo à produção e circulação de bens. As exportações chinesas, em parte graças a uma mão-de-obra extremamente mal paga, têm gerado grandes superávits na balança comercial, além de facilitar o pagamento da dívida
externa. Após o sétimo Plano Qüinqüenal, iniciado em 1985, a China passou a importar tecnologia, permitindo a entrada de especialistas estrangeiros. Abrindo-se para o mundo, o país já firmou mais de cem acordos internacionais de cooperação científica e técnica. Cada vez são mais íntimas as relações econômicas com o Japão, a República da Coréia, Estados Unidos da América, Cingapura e, até mesmo, com Taiwan, apesar das divergências políticas e ideológicas. Cada vez mais se difunde a idéia de que a China, um dos grandes “tigres asiáticos”, será a mais importante economia do início do terceiro milênio. Tal observação nos parece exagerada, pois o país ainda é vitimado pela ausência de uma sólida infra-estrutura econômica.
Os ventos reformistas também varrem o campo chinês, onde as comunas populares foram substituídas por fazendas coletivas mais liberais, que permitem a venda de excedentes para o mercado. Esse incentivo provocou um extraordinário aumento da produtividade agrícola: de 2% ao ano, em 1978, passou a crescer à média de 8%. A China, com apenas 7% da área cultivada do mundo, alimenta 22% da população mundial.
Nas indústrias, os bens que excederem as cotas de produção fixadas pelo Estado são divididos em três partes iguais: a primeira para a elevação dos salários; a segunda para ampliar os benefícios sociais da empresa (educação e planos de saúde); finalmente, a última porção para a modernização tecnológica da própria empresa. Se levarmos em conta os padrões capitalistas, o Estado ainda é excessivamente presente na economia, mas essa intervenção vem decrescendo rapidamente. Em 1980, 80% da produção era controlada pelo Estado; hoje, menos de 50%.
Apesar dos relativos êxitos econômicos, poucas alterações houve no plano político: o autoritarismo permanece. Em 1989, no famoso incidente da Praça da “Paz Celestial”, forças militares esmagaram um movimento oposicionista encabeçado por estudantes, deixando claro que o governo chinês não aceitava atrelar a liberalização econômica à democratização política. Desencantada com ações políticas e resignada à permanência do dirigismo autoritário, a juventude chinesa vem optando pelo individualismo e pelo
enriquecimento pessoal. Fazer dinheiro e consumo de produtos de luxo parecem ser as únicas preocupações do chinês atualmente. Muitos analistas internacionais defendem o conceito de que, por mais que o Estado resista à abertura política, o rápido desenvolvimento econômico e os novos hábitos daí decorrentes levarão
inevitavelmente à democracia. Só o futuro dirá.

A ABERTURA ECONÔMICA
“As políticas e medidas que estão promovendo a abertura econômica da República Popular da China podem ser resumidas em 10 aspectos essenciais:
- O direito de autorização para projetos estrangeiros é concedido a projetos de investimento estrangeiro voltados para a produção, sob condição de que preencham os requisitos das políticas industriais da China. Não existe qualquer compromisso, por parte do governo, de fornecer qualquer ajuda especial na instalação e na produção; as exportações não têm influência sobre a cota existente. Mas o direito não pode se estender a outra província. As medidas concretas devem ser determinadas pelo governo local.
- O projeto de melhoria tecnológica das antigas empresas abrange especialmente as grandes e médias empresas estatais, a tarifa de importação e o imposto sobre a produção (ou IVA) não incidem sobre os equipamentos necessários para projetos tecnológicos que não podem ser produzidos, ou cujo suprimento não possa ser garantido no momento. Essa política vigorará até o fim de 1995 para as cidades abertas ao longo das fronteiras e para capitais de províncias no interior.
- Incentivos para o desenvolvimento de exportação de produtos acessórios da linha agrícola. Pode haver isenção de tarifa e de impostos sobre o produto (ou IVA) sobre equipamentos de processamento para o desenvolvimento da exportação de produtos agrícolas acessórios. Essa política esteve em vigor até 1993 para as cidades costeiras abertas e até 1995 para as capitais abertas fluviais e das províncias do interior.
- Incentivos ao investimento estrangeiro. A alíquota do imposto de renda de empresas do setor de produção e de capital estrangeiro será de 24%; para os investimentos estrangeiros na área de tecnologia e projetos na área de ciência, - ou para investimentos estrangeiros acima de U$ 30 milhões, projetos cujo retorno seja mais demorado, ou ainda projetos para os setores de energia, transportes, portos e cais, a alíquota do imposto será de 15%, se autorizado pelo Bureau Estatal de Tributação (Receita Federal).
- As taxas alfandegárias de importação podem ser dispensadas para equipamentos destinados a empresas chinesas ou estrangeiras em fase de investimento. Pode também haver isenção de taxas alfandegárias de importação sobre matérias-primas, peças e componentes para empresas de investimento estrangeiro. Pode haver ainda isenção e taxas alfandegárias de exportação e do imposto sobre comércio e indústria consolidado para produtos de exportação. Os produtos para venda interna pagarão impostos de acordo com os regulamentos.
- Para empresas estrangeiras, firmas e outras organizações econômicas não estabelecidas na China, mas que tenham rendimentos provenientes de dividendos, juros, aluguel, pagamento de royalties e outras rendas provenientes das cidades abertas, a alíquota do imposto de renda será de 10% (para outras cidades, esta alíquota é de 20%).
- As empresas comerciais qualificadas no nível municipal poderão ter licença para comercializar com o exterior, desde que assim autorizadas pelo Mofert.
- Com base no documento Regulamento provisório para o desenvolvimento e operação de glebas de terra através de investimento estrangeiro, os estrangeiros têm permissão para investir na operação e no desenvolvimento de glebas.
- Simplificação do processo de autorização para que chineses possam ir ao exterior em atividade comercial. As pessoas que trabalham em empresas de comércio exterior, o pessoal envolvido na atividade comercial de grandes e médias empresas e os empregados chineses engajados em atividades de vendas em empresas de capital estrangeiro podem ter seus procedimentos de autorização da saída do país simplificados, autorização esta que pode vigorar por muito tempo em um único registro.
- Com o objetivo de criar um ambiente para investimentos, poderá ser criada, mediante autorização do Conselho de Estado, uma região de desenvolvimento técnico-econômico em cidades que possuam uma relativa concentração de investimentos estrangeiros.
As 10 políticas relacionadas podem ser agrupadas em quatro categorias: uma delas é a expansão dos direitos das cidades abertas na cooperação econômica com o estrangeiro, como direitos de autorização para projetos de investimentos estrangeiros, autorização para comércio exterior, autorização para que comerciantes possam viajar para o exterior; as segunda delas é o apoio às cidades abertas para a importação de tecnologias avançadas, experiências de administração do exterior para a reestruturação de empresas mais antigas e desenvolvimento de uma agricultura moderna; a terceira categoria é o estímulo ao uso do capital estrangeiro e políticas preferenciais a serem implantadas para empresas de capital estrangeiro; e, finalmente, a quarta diz respeito a 1a instalação de regiões técnico-econômicas para cidades qualificadas, quando autorizada pelo conselho de Estado. O que foi descrito são as linhas gerais do conteúdo principal. Não se trata de uma citação literal do texto, será necessário seguir o documento oficial para maiores informações e detalhes”

fonte: Wong Huijiong – A Economia Mundial em Transformação – GV, Rio de Janeiro, 1994, p. 47e 48

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