sábado, 17 de abril de 2010

Canadá e Japão

Além dos Estados Unidos, dois outros países localizados fora da Europa realizaram a Revolução Industrial: Canadá e Japão. Mas esses países também se industrializaram somente no fim do século XIX, assim como ocorreu com a Itália e a Alemanha.
No Canadá, isso deveu-se ao fato de esse país, antiga colônia britânica, ter obtido sua independência política apenas em 1867, quando foi criada uma Confederação canadense e escrita a Constituição do país. Embora o Parlamento tenha ficado submetido ao governo britânico até 1931, o Canadá dirigiu seu próprio destino desde o fim do século XIX.
Quanto ao Japão, até o século XIX era um país feudal e agrícola, que vivia completamente fechado às influências do Ocidente. Essa situação mudou a partir de 1868, quando o poder político que estava fragmentado entre os senhores feudais foi centralizado pelo imperador, pertencente à dinastia Meiji. A partir dessa data, o Japão aproximou-se da economia dos países ocidentais que passavam pela fase do capitalismo industrial.

Canadá

No passado, o território canadense foi ocupado por franceses e ingleses. O Canadá tornou-se colônia inglesa a partir de 1763. Em lº de julho de 1867, como já vimos, os canadenses começaram a administrar sua nação, embora alguns laços a prendessem ao Reino Unido até 1931. Como resultado desse passado, o Canadá faz parte da Comunidade Britânica de Nações (Commonwealth) e possui duas línguas oficiais: o francês, falado na província de Quebec, e o inglês, idioma da maior parte da população. Politicamente está dividido em dez províncias, das quais Ontário e Quebec são as mais importantes economicamente, e dois territórios.

Um extenso território e clima hostil

Localizado no norte da América do Norte e atravessado pelo círculo polar Ártico, o Canadá apresenta grande parte de seu território sob o domínio de climas extremamente frios. Apesar de ser o segundo país mais extenso do mundo, a maior parte do território canadense é de difícil ocupação por causa dos rigores climáticos.
Sua população de aproximadamente 31 milhões de habitantes concentra-se na faixa situada ao longo da fronteira com os Estados Unidos, onde as latitudes são mais baixas e o clima é temperado. A desigual distribuição da população aumenta a média da densidade demográfica do país (3,12 hab./km2 região, enquanto no norte gelado há trechos em que essa taxa não chega a l hab,/km2.

A riqueza natural

A mesma natureza que dificulta a ocupação humana compensou o Canadá com uma grande quantidade de recursos minerais, quase todos encontrados no Norte, onde faz mais frio. O país pode ser considerado uma "potência mineral", colocando-se entre os grandes produtores ou possuidores de reservas minerais de zinco, urânio, titânio, níquel, cobre, chumbo, cobalto, minério de ferro, ouro, e fontes de energia, como petróleo, carvão mineral e gás natural. Outro recurso natural fez do Canadá o primeiro produtor de papel e celulose: a taiga canadense, que alimenta também importante indústria madeireira.

Um apêndice dos EUA

Canadá, além de representar a continuidade das características naturais de seus vizinhos do Sul, tem sua economia fortemente vinculada à economia norte-americana.
Essa dependência se iniciou após a Primeira Guerra Mundial, quando filiais de empresas alimentícias norte-americanas começaram a comprar os excedentes da produção agrícola canadense (trigo, soja, cevada), desenvolvida nas férteis Planícies Centrais Canadenses, o que tornava essa área praticamente uma continuação das regiões agrícolas dos Estados Unidos. Hoje, essas planícies se caracterizam pela especialização em um único tipo de gênero agrícola, geralmente o trigo, e pela alta mecanização. A produção local é controlada por empresas alimentícias norte-americanas e exportada para os Estados Unidos.

O processo de industrialização canadense

A industrialização canadense consolidou-se após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A partir dos anos 1940, a grande diversidade mineral atraiu o capital e empresas dos Estados Unidos que ali se instalaram. A principal região industrial do país fica no Vale do Rio São Lourenço e na porção Sudeste, que faz fronteira com a região Nordeste dos Estados Unidos (a mais industrializada do mundo), onde se destacam as cidades de Toronto, Quebec e Montreal.
As indústrias de alta tecnologia (General Eletric e IBM), automobilística (GM, Ford e Chrysler), petrolífera (Exxon e Texaco), química (Du Pont), siderúrgica (Iron One Company), entre outras, são controladas por empresas norte-americanas. Mais de 70% da produção industrial canadense é exportada para os Estados Unidos e, a partir de 1994, com a assinatura do Nafta, ficou mais evidente a situação do Canadá como "apêndice dos EUA".

SEPARATISMO CIVILIZADO

Como consequência de sua colonização por dois países diferentes, o Canadá possui uma região que reivindica a sua separação do restante do país, fortemente marcado pela influência inglesa. É a província de Quebec, no Vale do São Lourenço, com 85% de população de origem francesa, que representa 28,7% do total dos habitantes do país.
O movimento separatista, não usa atos violentos para divulgar sua causa. As decisões são tomadas por plebiscitos, eleições em que o povo escolhe se quer ser um país independente.
A.comunidade esquimó é formada pelo povo,que já habitava seu território, antes da chegada dos europeus colonizadores.

Japão

OJapão só abriu sua economia para o Ocidente e para o mundo após o início do longo reinado da dinastia Meiji, que se estendeu de 1868 a 1912 e foi fundamental para que o país iniciasse seu processo de industrialização.

A Era Meiji (1868-1912)

O período marcado pela abertura econômica do Japão para o Ocidente ficou conhecido pelo nome da dinastia que o governou. Os imperadores Meiji preocuparam-se com medidas que foram fundamentais para a industrialização e modernização do país. Entre elas, podemos destacar: • a criação de infra-estrutura, como ferrovias e:
- a instalação de indústrias de bens de produção;
- grandes investimentos na educação do povo para obter mão-de-obra preparada para desenvolver a nova atividade;
- os investimentos feitos na indústria pêlos grupos familiares, os Zaibatsus, que se tornariam posteriormente grandes conglomerados;
- a adoção do xintoísmo, religião que fazia do imperador chefe sagrado do Estado, ajudou a incentivar o povo japonês ao culto à disciplina, que é uma das principais características desse povo.

O imperialismo japonês

Com um território pequeno - o Japão é um arquipélago vulcânico - e pouco favorecido do ponto de vista mineral e energético, o país iniciou sua expansão imperialista na Ásia, em parte para suprir essa deficiência. As principais áreas ocupadas pêlos japoneses foram:
- Coréia e Taiwan (1895);
- Manchúria, no norte da China (1931), e Norte
- península da Indochina (1941);
- ilhas do Pacífico, como Iwo Jima, Marianas, Carolinas, Palau (na Segunda Guerra).

A reconstrução pós-guerra

A participação e a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial custaram-lhe não só os territórios conquistados desde o século XIX, como a destruição da economia do país.
Mesmo arrasado, após o fim do conflito (1945), o Japão tornou-se a segunda potência econômica mundial. Como isso foi possível? Podemos explicar essa recuperação, chamada de "milagre japonês", por uma série de fatores que permitiram a reestruturação econômica do país:
- Os Estados Unidos investiram capitais na reconstrução japonesa com medo da influência chinesa que adotara o regime socialista em 1949. A ajuda americana recebeu o nome de Plano Colombo, que correspondeu ao que o Plano Marshall significou para a reconstrução dos países europeus.
- Mais uma vez o Japão investiu maciçamente na educação da população.
- Já existia tecnologia fabril desde a Era Meiji e a presença dessa mão-de-obra qualificada, numerosa e mais barata que a européia ou norte-americana, facilitou a reestruturação econômica e industrial do Japão.
- As indústrias bélicas (proibidas pêlos Estados Unidos após a Guerra da Coréia) transformaram-se em indústrias de alta tecnologia, como a de instrumentos ópticos e fotográficos. Essa desmilitarização foi benéfica porque canalizou capitais para outros setores.
- O governo privilegiou e incentivou as exportações de produtos industrializados.
- Os fatores culturais, isto é, as fortes tradições, como a obediência, a dedicação ao trabalho coletivo e a disciplina, também contribuíram para essa vertiginosa ascensão.

A segunda economia do mundo

Esse conjunto de fatores permitiu a transição de um país arrasado pela Segunda Guerra a um forte concorrente dos Estados Unidos e em país de grande superavit comercial, pois sempre portou mais do que importou. Lembre-se de que natureza desproveu o território japonês de recursos minerais, tornando-o um grande importador de praticamente todos os minerais que utiliza em sua versificada indústria e que posteriormente os exportam, transformados em automóveis, máquinas, navios eletrônicos, entre outros.
Alguns ramos industriais ocupam a primeira posição mundial, como a indústria naval, a produção de aço (siderurgia) e de seda (têxtil). O Japão ocupa o segundo lugar na produção de automóveis, alimentos, metalurgia, máquinas elétricas, máquinas e elétricas (os Estados Unidos estão em primeiro lugar e a terceira posição mundial na produção três colocando-se depois dos Estados Unidos e da Itália.
Aproximadamente a metade da exporta» mundial de eletroeletrônicos e eletrodomésticos é origem japonesa e mais da metade dos robôs es instalados na indústria japonesa. A tecnologia de robôs foi criada pêlos Estados Unidos e aprimoradas pelo Japão.
Grandes grupos industriais, bancários e comerciais japoneses estão entre as maiores corporações mundiais, como os grupos Mitsui, Mitsubishi, Toyota Motor Company, Nippon Telegrapl Telephone, Nissan Motor, entre outros.
O capital japonês foi o maior responsável p transformação de nações asiáticas, como Cingapura, Coréia do Sul, Taiwan e Hong Kong, em plataforma de exportação, a partir da década de 1960.
O litoral leste da ilha de Honshu concentra maior parte da população, das indústrias e a ma megalópole mundial, formada pelas cidades Tóquio, Yokohama, Nagoya e Osaka. A falta de paço, pois aproximadamente 80% do país é montanhoso, tem provocado o aterro de partes do litoral onde são construídos desde aeroportos (baía de O ka) até indústrias.
Atualmente, o Japão atravessa uma séria crise que preocupa a economia internacional pelo fato de esse país ser um grande investidor de capitais e um grande importador-exportador mundial. Essa crise veio após a profunda recessão da economia japonesa na década de 1990 e da concorrência dos produtos manufaturados da Coréia do Sul e dos demais "tigres asiáticos". O aumento do desemprego estrutural (ocasionado pêlos avanços tecnológicos), ã crise no sistema bancário e o menor crescimento do PIB japonês foram as principais consequências desses problemas.

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Prof. Miguel