quarta-feira, 15 de maio de 2013

O Subcotinente Indiano


Subcontinente Indiano

Índia, Paquistão e Bangladesh
Introdução
Em 1947, houve o esfacelamento do Império Britânico das Índias, resultando em dois países distintos: Índia e Paquistão. Este, dividido em dois territórios distintos e separados, sendo um de cada lado da Índia: o Paquistão Oriental e o Paquistão Ocidental.
Essa infeliz divisão, decorreu da diversidade religiosa, que sempre foi um fato de atritos sérios na região. Os de religião bramânica viveriam na Índia e os de religião muçulmana, no Paquistão. Grandes levas de população foram transladadas de uma área para outra, a fim de se satisfazer essa pretensão. Acrescem-se a isso os constantes atritos fronteiriços que surgiram, áreas onde populações de ambas as religiões vieram a conviver. Por exemplo, ainda não está resolvida a questão de Cachemira, entre o atual Paquistão e a Índia, pois ambos reivindicam o território, que tem maioria islâmica. O Paquistão quer que se faça um plebiscito, com o que a Índia não concorda.
Esses continuados problemas, religiosos e políticos, culminaram com a Declaração Unilateral de Independência do Paquistão Oriental, surgindo, então em 1971, uma nova unidade política, denominada BANGLADESH. Milhares de pessoas morreram na Guerra Civil que se seguiu, incluindo contingentes dos três territórios envolvidos.
 Aspectos Físicos
1. Relevo
O chamado subcontinente indiano é muito vasto. Equivale, aproximadamente, à metade do território brasileiro, sendo a sua maior unidade, a Índia, considerada, geograficamente, como o último dos sete territórios gigantes do Mundo. Incluindo o Paquistão e o Bangladesh, possui uma área total de 4,2 m de km2, onde podemos destacar os três conjuntos geográficos, determinados: as montanhas jovens do Noroeste, Norte e Nordeste, a grande Planície Indo-Gangética e o Planalto Indiano do Decã.
 A - As Montanhas
Os conjuntos montanhosos jovens circundam o território da Índia, isolando-a dos seus vizinhos. Representam uma série de dobramentos modernos, incluindo vasta porção da cordilheira do Himalaia, a mais elevada do planeta. É uma região grandemente inóspita, mas alguns vales transversais férteis permitem o desenvolvimento das atividades humanas. O sistema de transportes é, pela acidentalidade, muito prejudicado.
 B - A Grande Planície Indo-Gangética
Habitada desde retrocedidos tempos, permitiu o desenvolvimento de civilizações variadas, que se sucederam nos milênios. Área de depósito dos materiais originados das elevações, é uma das maiores bacias aluvionais do Mundo. É recortada por poderosos rios que formam duas bacias hidrográficas, a do Indo, no Norte-Noroeste e a do Ganges, do Centro-Norte para o Leste. As suas cheias são altamente fertilizadoras das margens, explicando mesmo a enorme concentração humana na região.
 C - O Planalto do Decã
Localiza-se no Centro-Sul, sendo que as suas altitudes de Oeste são maiores que as de Leste. Domina toda a península Indiana.
 Clima de Monções
Os agentes climáticos principais são representados pela elevada pluviosidade e os diferentes níveis de altitude. O verão, absurdamente quente, propícia a descarga proveniente de enormes massas de ar, sobretudo no Nordeste da Índia e todo o Bangladesh. É o chamado regime de monções, que afeta todo o Sudeste asiático, embora afete, também, a porção Oeste da península, no mar da Arábia. Já o interior do Planalto do Decã não as recebe, o mesmo acontecendo com o Paquistão, que é, no geral, um país desértico - montanhoso.
 Aspectos Humanos e Econômicos
Populações
Estimativas recentes dão as seguintes populações aos três países: Índia, 880 milhões; Bangladesh, 105 milhões e Paquistão, 100 milhões.
Ora, com um contingente humano somado de mais de 1 bilhão de pessoas, o subcontinente indiano é uma região superpovoada.
As áreas mais densas são as mais úmidas ou as irrigadas, uma vez que a população dominante é a rural: 80% das populações são rurais.
Um fato curioso é que a população minoritária urbana da Índia, somada, dá um efetivo humano maior que o de todo o Brasil.
A urbanização tem sido crescente, sobretudo nas últimas décadas, uma vez que os governos se esforçam em imprimir um desenvolvimento industrial que possa tirar muitas dezenas, senão centenas, de milhões de pessoas da miséria absoluta. O fato não tem sido até aqui uma característica atrativa das cidades. É muito mais decorrente da expulsão de agricultores pauperizados ao extremo concebível da dignidade humana. (ou indignidade?)
 1. Controle de Natalidade
Ao invés de adotarem uma mudança substancial na forma de produzir e de distribuir a produção e, depois , organizarem-se de uma maneira planificada de crescimento demográfico, os governos da área cometeram o inverso. Pretendem diminuir a fome, diminuindo o número de nascimentos, no que são incentivados por programas e financiamentos de governos outros, tão e quanto irresponsáveis.
São comuns, nos três países, as chamadas clínicas de planificação familiar, onde dezenas de milhares de pessoas são esterilizadas, em troca, quase sempre, de um mimo, um brinde, que seja, talvez, um rádio de pilha.
Assiste-se, então, a uma das mais dramáticas realidades humanas: multidões de famintos, analfabetos, impedidos de deixar os seus países (existe grande resistência mundial em recebê-los) impossibilitados, mesmo, de encontrarem melhor sorte em seus próprios países, vivem a apocalíptica situação de, sobrevivendo de migalhas, esperar a morte prematura que as religiões proclamam como estágio para um novo retorno, que será, sempre, de miséria pior ainda. Mas, será que elas dizem isto?
 2. Línguas e Religiões
As populações muçulmana e bramanista vivem em permanente conflito. Os líderes de ambas até mesmo o incentivam. O transplante de populações levou a condições exasperadoras em algumas regiões: as fronteiras políticas não correspondem às religiosas.
A concepção hinduística contraria o bem-estar material, o que, evidentemente, prejudica a evolução econômica. Além de ser, também, um sistema social, do que deriva o sistema cristalizado das castas.
Como se não bastasse, há a confusão lingüística. Na Índia, existem quatorze línguas principais, centenas de dialetos regionais. O inglês é a língua de comunicação geral e o hindu (mais falado), a língua oficial.
 Economias
1. Agricultura
É a principal atividade econômica, nos três países referidos, embora os rendimentos sejam baixíssimos, inferiores, em muito, até aos índices brasileiros. As técnicas são ultrapassadas, havendo pouca utilização de adubos, e quando existe, onera o país com pesadas importações.
Apesar dos esforços, sobretudo da Índia, em conseguir melhorar os seus índices de produção, os resultados são pouco animadores, pois uma política de reestruturação exige, concomitantemente aos investimentos físicos, investimentos humanos, de preparação técnico -educacional.
Foi extinta a instituição dos "zamindares", os grandes latifundiários da Índia tradicional. Ocorre, porém, que a aplicação das leis fundiárias depende das unidades da federação, onde as estruturas tradicionais não foram, de todo, abolidas.
 A - Pecuária
Os preceitos religiosos impedem o consumo de produtos de animais sacrificados. Os hindus respeitam todas as formas de vida. Chega-se, então, a situações contraditórias: a Índia possui o maior rebanho bovino do mundo, beirando duas centenas de milhões de cabeças, que, somadas às de carneiros, cabras e búfalos, perfazem um total significativamente superior aos 450 milhões de cabeças; 50 milhões no Paquistão e 60 milhões em Bangladesh. No entanto, esses países têm os menores índices de consumo de proteína animal do mundo. Acresce-se, ainda, a proteção dada a animais nocivos: existem 180 milhões de macacos na região, concorrentes do homem na escassa ração de origem vegetal.
 B - Cultivos Agrícolas Principais
ARROZ: alimento básico. A Índia tem a 2ª produção mundial (China), com 150 milhões de toneladas, aproximadamente. E produzido nas regiões mais chuvosas e no curso médio do Ganges, em rotação com o trigo, produto que a coloca em 4º lugar no mundo (URSS, EUA e China).
TRIGO: além da área gangética, uma área de grande produção é a região central do Decã, associado com o sorgo e o milhete. A produção indiana é de
45 M. de toneladas.
ALGODÃO: produto tradicional do país (4º produtor mundial). É cultivado nas áreas basálticas do Noroeste do Decã.
CULTIVOS INDUSTRIAIS: notadamente a borracha (hevea), o café, o chá, a pimenta e a maior produção de amendoim do mundo, são cultivados ao sul da península indiana. Já a juta, importante produto para o fabrico de artigos de aniagem, é cultivada na região de Assan, no Leste de Bangladesh, sendo o principal produto, também daquele país, disputando os espaços utilizados com o arroz.
No Paquistão, a agricultura só é possível por meios artificiais, notadamente da irrigação. No Pendjab, região de confluência dos formadores do rio Indo, que corta o país, existem cultivos importantes de algodão, trigo, milhete, arroz e trigo ao longo do Indo.
 2. Recursos Mínero-Energéticos
Os países da região são bem-dotados de recursos hidráulicos, mas o potencial instalado ainda é modesto. A produção de petróleo da Índia é menor que a do Brasil, a de carvão, superior, e a produção de eletricidade, equivalente. Mas, se considerarmos a população indiana, o consumo per capita é muito reduzido. A situação do Paquistão e Bangladesh ainda é pior. Índia e Paquistão aventuram-se na produção de energia atômica, pulverizando recursos enormes, que teriam melhor aplicação se socializados.
Em matérias-primas, destaca-se a Índia: grande produtora de ferro, manganês, bauxita, mica, cromo e carvão.
Os recursos paquistaneses e bangladeshianos são medíocres.
 3. Atividade Industrial
É importante ressaltar que a Inglaterra, além de ter saqueado por séculos o país, dizimou seu florescente artesanato, notadamente o têxtil. Os indianos atendiam, com as suas produções, largas faixas do extremo Oriente. A atuação inglesa substitutiva, desde a época da Revolução Industrial, fez extinguir a produção indiana, que só pôde reinstalar-se depois da Independência (1947). Essa pirataria econômica é responsável por grande parte das chagas que o país hoje revela ao mundo.
 Principais Setores
A - Têxtil
Mais importante do país, tanto os tecidos de algodão, quanto a tecelagem de juta. Situa-se nas cidades portuárias de Calcutá, Bombaim e Madras.
 B - Siderúrgica
Situa-se no grande cinturão fabril indiano, a região de Calcutá, no Vale do Damodar. A produção indiana é um pouco inferior à brasileira, que a suplantou na última década. Além de investimentos locais, conta com aplicações de capitais alemães, ingleses e soviéticos.
 C - Química
É ainda pouco importante, dadas as necessidades do país, o mesmo acontecendo com o setor mecânico. Embora o país produza aviões, locomotivas, vagões, máquinas, automóveis e navios, está defasado dos grandes produtores mundiais. As indústrias de Bangladesh e Paquistão são incipientes.
 CONCLUSÃO:
Enquanto os elementos da tradição prevalecerem, muito dificilmente ou nunca, os três países examinados encontrarão melhor sorte para as suas populações. As mudanças, no entanto, têm impedimentos sérios, nos quais influem até fatores psico-sociais que não se apagam em uma ou duas gerações, se é que se apagam. Somente alterações substantivas poderão alterar a ordem (?) de coisas do subcontinente indiano.